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terça-feira, julho 03, 2012

Sobre os acontecimentos no Paraguai (3) - A melhor coisa que aconteceu no país desde a queda de Stroessner

Todos devem estar pensando que, com o Paraguai suspenso da Unasul e do Mercosul, o país saiu perdendo. Na verdade, quem teve a verdadeira vitória de Pirro foram os outros. Senão vejamos:

1) As sanções paraguaias se restringiram ao campo político, e não ao econômico, como chegou a ocorrer em Honduras;

2) A comoção social que deveria haver no Paraguai está sendo inferior mesmo à que ocorreu em Honduras. Vejam essa notícia aqui: ela mostra uma das manifestações mais noticiadas contra o "golpe". Sejamos práticos: se houvesse alguma ditadura no Paraguai, alguma possibilidade remota de sublevação, os protestos seriam tão pacíficos a ponto de policiais apenas fazerem cordão de isolamento e ficar por isso mesmo!? Onde estão os cassetetes e as bombas de gás?

3) Para agravar ainda mais a tremenda cagada que o Brasil fez em seguir na onda da Argentina: o Partido Colorado (com quem o PT tem que aprender muito ainda para se infiltrar na máquina estatal, e ambos têm que aprender com o PRI mexicano) já era o favorito nas eleições do ano que vem, e é bastante provável que ganhe. Se não for ele, será o Liberal do Frederico Franco. O que será mais fácil para o novo presidente: aceitar voltar ao Mercosul e à Unasul, com quem ainda possui relações econômicas normais, ou sair de uma vez por todas dessas canoas furadas e partir para acordos de livre comércio com os EUA e a União Europeia (os sacoleiros e os feirantes - e acima de tudo, os consumidores, agradecem)?

O Paraguai ter se livrado do Lugo foi a melhor coisa que aconteceu para o país desde a queda do Stroessner, e está saindo muito melhor do que o planejado.

Sobre os acontecimentos no Paraguai (2) - O Lugo se assanhando

 OBS: esse post ficou datado com o tempo, mas fica o registro histórico.

Pouco a pouco a posição do Lugo está ficando mais clara... Sim, ele saiu para evitar um banho de sangue. E não, ele não saiu para não tumultuar o processo, mas exatamente o contrário. Para mim ele esteve desde sempre esperando a reação da "opinião pública" (entenda-se jornalistas, que são grande parte de esquerda e simpáticos às suas convicções). A "opinião pública", em sua parte mais estridente, inventou uma nova categoria de golpe, o "golpe institucional", e o Lugo se prontificou a acolhê-la, não reconhecendo o novo governo e conclamando à desobediência civil pacífica. Com certeza essa postura de bom samaritano (safadheeeenho, mas bom samaritano) atrairá a simpatia de muito mais gente da "opinião pública".

Por outro lado, os que estão agora no poder estão claramente pagando o preço de não terem seguido nem que fosse um arremedo dos princípios jurídicos da ampla defesa, do contraditório e da razoabildade. Daí a reação (até agora) justa do Brasil em convocar o embaixador* e falar que houve rito sumário. Isso houve sim, pelos motivos já expostos no post anterior (ver abaixo). Mas aí é que tá: o juízo político (adorei essa expressão dos paraguaios, que está na Constituição deles!) NÃO PRECISA SEGUIR PRINCÍPIOS JURÍDICOS (embora DEVA!). O exemplo maior está aqui mesmo no Brasil: o Collor foi cassado no Congresso, mas absolvido no STF. A principal diferença, e isso afeta a legitimidade (mas NÃO a legalidade) no caso paraguaio, é que o prazo e as oportunidades que o Collor teve para se defender no Congresso foram mais que razoáveis.

O Brasil ainda disse que fará o que a UNASUL (em caixa alta porque é um acrônimo) decidir. Pois bem: a UNASUL é composta por todos os países sul-americanos, que são 12. Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela já se posicionaram contra o novo regime. O Chile, a Colômbia (governados por partidos de centro-direita) e o Brasil manifestaram discordância em relação a como se deu o processo, mas não se manifestaram sobre o novo regime. Acredito que essa seja a mesma posição do Uruguai. Sobram Peru, Guiana e Suriname, de quem ainda não se ouviu nenhum 'a'.

O presidente paraguaio já está vendendo facilidades ao Brasil, como garantir a propriedade dos brasiguaios e Itaipu.

*Na questão dos embaixadores, o Lugo falou uma bela de uma MENTIRA quando disse que o Brasil, o Uruguai e a Argentina "retiraram" seus embaixadores, quando os primeiros países apenas CONVOCARAM (o que diplomaticamente tem ainda bastante impacto, mas é infinitamente menor do que retirar o embaixador do país).

sábado, junho 23, 2012

Sobre os acontecimentos no Paraguai

Olá! Há quanto tempo não apareço por aqui... É que estive bastante ocupado esse semestre (trabalho -!-, faculdade, francês, estudo para concursos, Diablo III...). Percebi que o layout para escrever no Blogger mudou enquanto isso. Enfim, vou tentar voltar à ativa (mesmo porque postagens no blog são uma maneira de se treinar para redação). Tanta coisa para falar... Mas quero falar do Paraguai.

Antes de mais nada, vou esclarecer algo que ainda não foi bem definido: a situação do Paraguai NÃO É IGUAL À DE HONDURAS. Lá, o Zelaya violou frontalmente um artigo da Constituição (obs: que já foi revogado da forma devida pelo atual presidente), que dizia claramente que o presidente que tentasse prorrogar sua estadia na chefia do Executivo para além do prazo normal seria AUTOMATICAMENTE destituído (ou seja: SEM IMPEACHMENT). Era uma regra imbecil? Era, mas era a regra deles, que vigorou por quase 30 anos, e deveria ser respeitada.

Já no Paraguai a situação foi totalmente outra: o Lugo, o bispo sedutor, foi impichado pelo Congresso. Menos mal que, ao contrário do Chapeleiro Louco (Zelaya), reconheceu o resultado (muito mais porque já não teria nenhuma condição de governabildiade) e conclamou seus seguidores a protestarem pacificamente. Espero que ele não vá mudar de ideia depois e falar: "eu sou o presidente legítimo do Paraguai, e falei aquilo na ocasião porque fui coagido pelas forças armadas, etc."

Oficialmente ele caiu devido ao Massacre de Canindeyu, onde morreram 6 policiais (primeiro) e 9 sem-terra paraguaios (no payback). É suficiente um presidente cair por causa de 15 mortes? Bem, sim. O prefeito de Buenos Aires caiu devido às consequências da tragédia da boite Cromagnon, quando morreram mais de 100 pessoas. O Fernando de la Rua caiu, entre outras coisas, pelos 30 mortos. Por outro lado, estamos falando de um país onde, em 2004, morreram mais de 350 pessoas em um incêndio em um supermercado porque o filho da puta do dono fechou as saídas de emergência para que não saíssem com suas mercadorias e a pena mais pesada para os envolvidos foi de 12 anos de prisão (é, essas coisas não acontecem só no Brasil...). Então o que aconteceu na verdade?

Na prática foi o seguinte: após o ocorrido, o ministro do interior (equivalente ao da justiça brasileiro), do Partido Liberal, caiu, e foi substituído por um do Partido Colorado, que controlou o Paraguai nos últimos 50 anos. Foi uma atitude que se demonstrou desastrada, uma vez que não só o Partido Liberal, principal aliado político do Lugo, rompeu com ele, como o Partido Colorado, de oposição, não se aliou ao Lugo. E os dois se uniram para derrubá-lo por "mau desempenho em suas funções" (o que é previsto na Constituição local - normlamente não gosto de critérios subjetivos sendo usados no meio jurídico, mas acho que esse dispositivo é semelhante ao "decoro parlamentar" que há por aqui).

Agora a pergunta fundamental: foi golpe? Como sou idiota (cf. Chaves), respondo com outra pergunta: o que é golpe? Um golpe de estado é quando há uma substituição forçada de um chefe de Estado de forma não prevista na Constituição daquele país. Por exemplo: no Brasil o Golpe de 64 foi consumado não quando depuseram o João Goulart, mas quando seu substituto imediato, Ranieri Mazzilli (então presidente da Câmara dos Deputados), declarou vaga a cadeira de presidente e o STF não falou nada a respeito. No caso do Paraguai todo o rito constitucional foi seguido.

"Então dá para afirmar que não foi golpe, né?". Infelizmente não diria isso com tanta convicção. Por mais que um julgamento político possa não seguir princípios jurídicos (no caso, o da ampla defesa, do contraditório e o da razoabilidade), ele deve segui-los. Voltando ao caso do supermercado (Ycuá Bolaños), o incêndio aconteceu em 1º de agosto de 2004, e a primeira sentença saiu em 05 de dezembro de 2006. Se para uma tragédia de um tamanho 20 vezes maior demorou-se mais de dois anos para fazer um julgamento justo, por que que o Lugo só teve dois dias para se defender?

Tecnicamente, sem muita convicção, diria que NÃO FOI GOLPE, mas a forma como isso se deu foi totalmente atabalhoada. Como a Constituição paraguaia não foi violada, e como haverá eleições presidenciais em 2013, o que os países da UNASUL (que já estão ficando assanhados) deveriam fazer é RECONHECER o novo governo paraguaio e barganhar com ele a ANISTIA do Lugo (se ele foi impichado deve estar sem os direitos políticos) em troca do não uso de sanções político-econômicas (exatamente por conta do atabalhoamento). Ele que se candidate de novo, oras!

Isso para mim seria o certo. Infelizmente os sinais da UNASUL são de que eles irão fazer a mesma barafunda que fizeram em Honduras.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Eleições 2010 - A menos que haja um fato novo, Dilma será a presidente

Vou me adiantar ao que prometi a mim mesmo, que seria esperar a primeira pesquisa do Datafolha após o início do horário eleitoral, para vaticinar: Dilma Rousseff será eleita presidente do Brasil, a menos que surja O escândalo. Por que estou certo disso? É fácil, basta ver a apatia da campanha do Serra, onde se noticia que os comitês eleitorais não estão se formando da maneira que deveriam - entenda-se: a campanha não empolgou.

Certamente deve-se ao envolvimento do Lula na campanha (patrimonialismo rules!), mas talvez seja também uma falha do próprio Serra e dos tucanos paulistas, que não empolgam nacionalmente nem a pau. Na sabatina do JN deu para ver isso: tecnicamente ele foi o melhor dos três (a Marina foi muito etérea e a Dilma, que tem problemas sérios de oratória, até que foi bem), mas ele foi muito tecnicista. Não sei onde que os marqueteiros tucanos vivem que não aprendem a "regra dos 75%": 7% dos adultos são analfabetos, e 68% da população brasileira de 15 a 64 anos - praticamente todos os votantes obrigatórios- analfabetos funcionais (dados do IBGE). Não adianta ficar falando de números para esse povo, porque a capacidade cognitiva deles é limitada. A não ser que você fale com a emoção, que é o que a Dilma está fazendo (e o Lula fez com maestria).

(Aliás, a Dilma está falando com aquele povo que dá audiência para a verve assistencialista de Luciano Huck, Gugu, Celso Portiolli e ultimamente até o Pânico...)

Outro problema do Serra é, por incrível que pareça, de oratória. Uma das regras desse meio é que se você consegue com que seu oponente passe a discutir nos teus termos você já ganhou 60% do debate. Isso claramente está acontecendo na campanha do tucano, com os mesmos paradigmas petistas. Caramba, o Serra falou do Lula positivamente na campanha hoje!

O que o Serra poderia fazer? Rebatendo a história dos pedágios, por exemplo, podia mostrar um "antes" e "depois" das estradas de SP e um "antes" e "depois" das estradas federais, ou as que foram concedidas sob o Lula. Poderia falar do crack, como falou hoje, mas mostrar de onde que vem, com o Lula usando colar de folha de coca e sendo no mínimo conivente com a produção da matéria-prima. Poderia comparar o que foi arrecadado com a privatização da Vale e da Telebras com quanto o Lula recebeu das usinas da Petrobras na Bolívia, ou quanto tá dando de ajuda de custo para o Paraguai do Lugo (e ainda perguntar: quem tá vendendo o Brasil, afinal de contas?) por causa de Itaipú.

Enquanto jogar o jogo do PT o Serra nunca ganhará. E quanto mais demorar para perceber isso mais irreversível será.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Honduras 6 - O imbecil da Unicamp (embora isso seja redundância...)

Só um unicampista para fazer uma análise chula dessas que está no Uol. Vou responder ao Ilmo. Pedro Paulo Funari à moda do Jack, o Estripador, por partes.

O golpe que tirou Manuel Zelaya do poder em Honduras no final de junho é semelhante ao golpe militar de 1964 contra João Goulart no Brasil: ambos são resultado de um conflito social interno que culmina em uma ação militar de caráter ilegal, mas apoiada pelo congresso.

Aqui vai uma questão de lógica: uma meia-verdade pode ainda ser considerada uma verdade? Resposta: depende da conclusão que se chega, e a resposta, aqui, é NÃO. A parte "verdade" desse parágrafo é que, assim como no Brasil de 64, há sim um conflito social interno (mas a analogia com 64 não é adequada, mas isso falo mais abaixo). O problema é que o "caráter ilegal" faz com que esse parágrafo seja uma bruta de uma mentira. Senão vejamos a própria Constituição de Honduras, retirado do site da Universidade de Georgetown (que forma os diplomatas norte-americanos, para quem não sabe):

"ARTICULO 239.- El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Vicepresidente de la República. El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos y quedarán inhabilitados por diez (10) años para el ejercicio de toda función pública."


Senhor unicampista: o sr. pode reclamar que a legislação é draconiana (o que eu também acho, um processo de impeachment seria mais justo), mas essa é a legislação deles, então não foi ilegal coisíssima nenhuma! Mas continuemos.

A análise é de Pedro Paulo Funari, professor da Universidade de Campinas e Coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da mesma instituição, que comentou em entrevista ao UOL Notícias a visita de Manuel Zelaya ao Brasil.

"Também Goulart, como Zelaya, cortejou os setores populares, enfrentou dificuldades econômicas, ficou impopular e foi deposto pelos militares, apoiados pelo congresso", explica o pesquisador. A principal diferença, segundo ele, é que o golpe brasileiro ocorreu em um contexto de Guerra Fria, desencadeando ações de maior violência contra os cidadãos
.

"Nos dois casos, trata-se de um governante com origem na aristocracia rural que, uma vez no poder, são encurralados por uma forte demanda social e resolvem aplicar arriscadas políticas de redistribuição", detalha Funari.

A consequência desse processo é uma classe baixa ansiosa por resultados e uma classe média com receios. Dessa forma, quando elementos militares concretizam o golpe, a ação tinha apoio de significativos setores da sociedade, acrescenta o historiador. Nos dois casos o presidente deixou o país: Jango para o Uruguai; Zelaya para a Costa Rica.


Aqui estamos na parte da "meia verdade". Nada a discordar neste trecho. Embora o parágrafo introdutório já tenha posto tudo a perder. E o abaixo comprova que não foi em decorrência de ruído na comunicação que saiu essa asneira na reportagem (sim, isso pode acontecer). Mas há uma diferença fundamental entre o ocorrido em Honduras e o Golpe de 64. De acordo com a nossa Constituição de 1946, no artigo 79, a linha sucessória vigente era:

Art. 79 - Substitui o Presidente, em caso de impedimento, e sucede-lhe, no de vaga, o Vice-Presidente da República.

§1º - Em caso de impedimento ou vaga do Presidente e do Vice-Presidente da República, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o Vice-Presidente do Senado Federal e o Presidente do Supremo Tribunal Federal.

O golpe se deu a partir do momento em que João Goulart (vice-presidente que assumiu a vaga do Jânio Quadros) foi derrubado, e o ilmo. presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli passou o poder para a junta militar, quando deveria ter conduzido a Nação até as eleições que deveriam acontecer em 1965. Já em Honduras, a Constituição atual diz:

ARTICULO 242.- En las ausencias temporales del Presidente de la República lo sustituirá en sus funciones el Vicepresidente. Si la falta del Presidente fuera absoluta, el Vicepresidente ejercerá la titularidad del Poder Ejecutivo por el tiempo que le falte para terminar el período constitucional. Pero si también faltare de modo absoluto el Vicepresidente de la República, el Poder Ejecutivo será ejercido por el Presidente del Congreso Nacional y, a falta de éste, por el Presidente de la Corte Suprema de Justicia, por el tiempo que faltare para terminar el período constitucional.

Não seria isso o que está acontecendo em Honduras, hein? E o Lula et caterva ainda insiste em não reconhecer a legitimidade das eleições que acontecerão em novembro... Não sei os EUA, mas é batata que a Colômbia reconheça.

"Uma semelhança importante é que a ação ilegal dos militares - tirar um presidente do cargo à força é ilegal aqui e em Honduras - acabou referendada por um órgão legítimo, o Congresso", destaca Funari, a respeito da argumentação dos golpistas nas duas situações de que se tratava apenas de defesa da legalidade.

Lamento lhe informar, senhor unicampista, mas não é ilegal nem em Honduras (vejam o artigo 239) nem no Brasil. Senão vejamos o art. 142 da NOSSA CONSTITUIÇÃO:

"Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem."


O que significa isso? Bem, se o Presidente da República resolver fechar o Congresso Nacional, esse ou o Poder Judiciário pode chamar as Forças Armadas e derrubar o Presidente. Agora passemos de novo à Constituição hondurenha:

'ARTICULO 272.- Las Fuerzas Armadas de Honduras, son una Institución Nacional de carácter permanente, esencialmente profesional, apolítica, obediente y no deliberante. Se constituyen para defender la integridad territorial y la soberanía de la República, mantener la paz, el orden público y el imperio de la Constitución, los principios de libre sufragio y la alternabilidad en el ejercicio de la Presidencia de la República.
(...)"

(...)

"ARTICULO 278.- Las órdenes que imparta el Presidente de la República deberán ser acatadas y ejecutadas con apego a la Constitución de la República y a los principios de legalidad, disciplina y profesionalismo militar."

Ou seja: basicamente as forças armadas de lá também devem defender a Constituiçãoà não aceitação, sob hipótese alguma, de continuidade no exercício do cargo. Aguentem que agora termina a reportagem.

"No Brasil, havia certeza de apoio dos EUA: reconhecimento do governo, apoio político, apoio financeiro etc. Honduras, ao contrário, não tem esse apoio, o que é uma diferença fundamental", acrescenta.

Essa vocês vão saber agora: sim, os EUA realmente apoiaram o golpe, isso está mais do que provado, mas o primeiro país a reconhecer o novo regime foi a digníssima UNIÃO SOVIÉTICA! Mas voltando aos EUA: posso ser burro, e geralmente sou, mas ainda acredito que o que se passa é que eles estão com um problema de "diapasão": ainda estão procurando o tom adequado para a política externa. Infelizmente terá que acontecer alguma merda pra isso melhorar.

Essa comparação não é apenas hipotética, mas tem efeitos reais, justifica
Funari. "Isso é fundamental para entender a reação do governo brasileiro diante do golpe hondurenho. A crítica feita desde o primeiro momento vem de um governo formado por políticos como Lula, que sempre condenaram o golpe no Brasil, isso está na memória deste governo", conclui.


De novo uma meia-verdade. Mas nesse caso acredito que o sr. unicampista esteja bancando o "inocente útil" (embora seja da Unicamp, então não sei...). Sim, há o recall dos golpes, que faz com que a maioria da opinião pública (inclusive jornais sérios) condene o golpe. Mas o Lula não está nessa não, ele quer é que mais um aliado de retórica esquerdista no poder, assim como apoia o Chaves, o Morales, o Correa, o Lugo, et caterva.

Concluindo, já disse aqui que o que se passa em Honduras está mais próximo do Brasil de 1954 do que do Brasil de 1964, isso se o Micheletti, o Nereu Ramos hondurenho, fizer a sucessão constitucional em 2010.
acima de tudo, sendo que há nova ênfase no artigo 272, onde grifei,

segunda-feira, abril 27, 2009

A mudança era vidro e se quebrou - Paraguai

Deixa ver se eu entendi: um país era governado pelo mesmo partido* há 50 anos. Houve desgaste, vozes dissonantes, até que houve um agente da mudança que se candidatou. Essa pessoa - e seus partiários - deveria(m) saber que iria(m) lutar contra uma máquina político-estatal-econômica fortíssima, que faria de tudo para contar seus podres e até difamá-lo. Portanto, ela deveria ter uma reputação ilibada - ou, quando muito, que não tivesse cometido nenhuma falta grave.

Sim, como está no título, estou falando do Paraguai e do Exmo. presidente Lugo, o ex-bispo "pai da pátria".Quer dizer que pensou que o fato de fornicar com suas fiéis (uma A PARTIR DOS 16 ANOS) e ter uma pletora de filhos ENQUANTO ERA BISPO não iria ser relevante para a opinião pública paraguaia!? Ouso dizer que os paraguaios que votaram nele devem estar mais perdidos do que o povo que votava no PT por ele ser o "partido da ética" - lembram?- na época do Mensalão.

Ouso dizer que o Lugo tornou-se um "pato manco" com apenas um ano de mandato. Curiosamente, o Lula tornou-se seu fiador quando passou a mão na cabeça e falou que não viu nada de demais na conduta dele. Pode ser que, depois dessa, o Lugo se sinta eternamente grato e empurre a briga por Itaipu com a barriga. Entretanto, o Lugo pode fazer alguma lambança para criar um factóide no sentido de recuperar a popularidade. Ou pior: em qualquer um dos dois cenários, o Lula pode abrir as pernas pro Lugo, cedendo às suas exigências, e depois falar que "temos que ajudar nossos hermanos pobres e coitadinhos"...

*O Fukuyama inaugurou a categoria dos "Estados Falidos" para explicar aqueles estados onde não há domínio pleno do território, ou mesmo sem domínio algum (como Somália, Afeganistão ou Pará). Inauguro uma nova categoria, as "Democracias de Partido Único", onde a alternância do poder entre partidários é problemática. O exemplo clássico é o México, onde houve mais de 60 anos de domínio do PRI. O Paraguai poderia encaixar-se penamente nesse conceito. A África do Sul, a Venezuela e a Rússia estão indo pelo mesmo caminho; e a Argentina, com o Partido Justicialista, mais o Brasil, com o PT, teriam fortes tendências para isso.

sexta-feira, março 13, 2009

Segunda guerra do Paraguai?

"Paraguai quer multiplicar por 16 o que o Brasil paga por energia de Itaipu

MADRI, Espanha, 13 Mar 2009 (AFP) - O Paraguai deseja multiplicar por
16 os atuais US$ 109 milhões que o Brasil paga anualmente pela energia
procedente da hidrelétrica de Itaipu, afirmou o presidente paraguaio,
Fernando Lugo, em uma entrevista ao jornal espanhol El Mundo.

"Hoje
recebemos US$ 109 milhões ao ano de Itaipu e nos oferecem subir a 200.
Nós queremos pelo menos de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,8 bilhão anuais",
respondeu Lugo ao ser questionado se o Paraguai renegociará os tratados
das hidrelétricas que administra com o Brasil (Itaipu) e Argentina
(Yacyretá).

"Lutamos por um preço justo, o do mercado. O Paraguai é um país pobre
que, de alguma maneira, está subsidiando a energia do Brasil".

Brasil e Paraguai mantêm uma associação na hidrelétrica de Itaipu.

O
governo de Lugo, que no dia 15 de março completará seis meses,
questiona o preço que o Brasil paga pela energia paraguaia, da qual
Brasília tem prioridade de compra.

O paraguaio disse que deseja
esgotar os meios bilaterais, mas deu ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva o prazo de um ano para um acordo.

"Se neste tempo não tivermos resposta...", afirmou, sem completar a frase.

"Agora
a energia vai diretamente para o Brasil, não sabemos nem sequer quanta.
Falta alcançar o preço justo e a livre disponibilidade da energia",
destacou."

Volto.

Escrevam o que eu estou dizendo: o Paraguai será a nova Bolívia. Contando o prazo de um ano que o Lugo deu, isso cairá em abril de 2010, mais ou menos. A nacionalização do Morales foi em julho de 2006, mais ou menos.

Porém, o Lugo está mais para Lula do que para Morales. Vide o caso do "AeroLugo". Provavelmente ele agirá movido pela impopularidade doméstica. Se o Brasil fosse esperto (o que não é), negociaria/enrolaria o Paraguai financiando a melhoria na distribuição de energia, que é bastante precária.

domingo, maio 04, 2008

!Avante, Santa Cruz!

Se houveram duas notícias boas hoje foram a conquista do campeonato goiano pelo Itumbiara (o Goiás se fudeu) e a maciça votação pelo "sim" da autonomia da província de Sta. Cruz (aguardo o resultado da participação no referendo). Espero que a situação descambe para a proclamação da independência, com Sta. Cruz guerreando contra o resto da Bolívia. Sim, o Chavez (e provavelmente também o Lugo) irá apoiar o Morales e o Lula fará corpo mole, mas se essa coisa for pra valer mesmo não vai ter ninguém contra os crucenhos. Com contrabando de armas do Paraguai e daqui pra eles, quero ver...

sábado, março 01, 2008

Veja diz, eu disse há mais tempo

A Veja diz na edição de hoje:


Por Duda Teixeira, de Assunção
O barão do Rio Branco, criador da moderna diplomacia brasileira, enviou em 1905 uma carta ao seu representante no Paraguai com a seguinte mensagem: "Um vizinho turbulento é sempre um vizinho incômodo e perigoso". Nas próximas eleições presidenciais paraguaias, em 20 de abril, um recado similar poderia partir de Brasília. O "vizinho turbulento", no caso, é Fernando Lugo, candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto. Ele adotou como bandeira uma curiosa e paroquial versão da desacreditada teoria da dependência. A originalidade dessa reformulação reside na substituição dos Estados Unidos pelo Brasil no papel de inimigo externo, com ambições imperialistas. Há duas providências que Lugo promete tomar, caso venha a se sentar na cadeira de presidente. A primeira é multiplicar por sete o valor que o Brasil paga atualmente pela energia fornecida pela usina de Itaipu, passando de 250 milhões para 1,8 bilhão de dólares por ano. A segunda é uma "reforma agrária integral". Para os fazendeiros brasileiros com terras no país vizinho, o adjetivo significa que suas propriedades estão em risco.

Eu disse, em setembro do ano passado:

"Analogia a ser feita por algum bambambã

Na graduação, quando estudei a política externa do Brasil, eu soube do jogo duplo que o Vargas fez com os EUA pra conseguir a CSN. Até que ponto o Lula está fazendo jogo duplo com o Bush em relação ao Chávez/Morales et caterva?

PS: Olho no tal de Fernando Lugo no Paraguai. O ex-bispo (prefiro em espanhol. 'el ex-obispo') é uma versão local do Chávez/Morales/Correa. Ele é candidato favorito à presidência paraguaia, e uma de suas principais reivindicações (e de parcela importante da população paraguaia - é só olharem de vez em quando os briefings que a BBC faz sobre o 'ABC Color', principal jornal de lá, e anti-brasileiro até a alma) é renegociar o tratado de Itaipú. De acordo com o pensamento corrente dessa corrente, o Paraguai foi prejudicado pelo Brasil porque no contrato ele só poderia revender a energia gerada por Itaipú a preço de custo, não de mercado.

E pra dar um subsídio a quem acredita no Foro de São Paulo (depois do que o Morales fez e da reação pífia do Lula passei a acreditar também), aqui vai um trecho de notícia tirado do portal "Bem Paraná" . Ariel Palácios, pra quem não está associando o nome à pessoa, é o correspondente da Globonews em Buenos Aires (e acho que trabalha com o Estadão também).

Lugo, cuja coalizão integra políticos da esquerda e de centro, participa este fim de semana do Terceiro Congresso do PT, realizado em São Paulo. O bispo afirma que não é "estatista" nem se define como um político de "esquerda"."

quarta-feira, setembro 12, 2007

Analogia a ser feita por algum bambambã

Na graduação, quando estudei a política externa do Brasil, eu soube do jogo duplo que o Vargas fez com os EUA pra conseguir a CSN. Até que ponto o Lula está fazendo jogo duplo com o Bush em relação ao Chávez/Morales et caterva?

PS: Olho no tal de Fernando Lugo no Paraguai. O ex-bispo (prefiro em espanhol. 'el ex-obispo') é uma versão local do Chávez/Morales/Correa. Ele é candidato favorito à presidência paraguaia, e uma de suas principais reivindicações (e de parcela importante da população paraguaia - é só olharem de vez em quando os briefings que a BBC faz sobre o 'ABC Color', principal jornal de lá, e anti-brasileiro até a alma) é renegociar o tratado de Itaipú. De acordo com o pensamento corrente dessa corrente, o Paraguai foi prejudicado pelo Brasil porque no contrato ele só poderia revender a energia gerada por Itaipú a preço de custo, não de mercado.

E pra dar um subsídio a quem acredita no Foro de São Paulo (depois do que o Morales fez e da reação pífia do Lula passei a acreditar também), aqui vai um trecho de notícia tirado do portal "Bem Paraná" . Ariel Palácios, pra quem não está associando o nome à pessoa, é o correspondente da Globonews em Buenos Aires (e acho que trabalha com o Estadão também).

Lugo, cuja coalizão integra políticos da esquerda e de centro, participa este fim de semana do Terceiro Congresso do PT, realizado em São Paulo. O bispo afirma que não é "estatista" nem se define como um político de "esquerda".