Sábado, Novembro 28, 2009
Operação Caixa de Pandora 2 - Fudeu pro Arruda
PS: A gravação do vídeo, segundo o JN, foi em 2002, quando o Arruda era candidato. Provavelmente era pra chantagem eleitoral. O Arruda provavelmente deve ter neutralizado com outra chantagem. Se foi isso mesmo, aguardo o payback.
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Operação Caixa de Pandora 1 - O início (ou: de repente o DF será o último lugar que passarei entre agosto e novembro)
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Mas só uma coisinha: o Arruda mostrou que é mais SONSO que Horroriz! O ex-secretário é DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL (o dep. federal Laerte Bessa tá apoiando quem agora?), cheio de processo nas costas, e ele ainda o empregava como SECRETÁRIO!? E dos mais importantes: pelo nome da secretaria acredito que ele era o intermediário do governo com a Câmara Legislativa e o TJDFT. Se surgir o fatídico bolão de dinheiro, adeus.
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Honduras 19 - Um historiador indigente
"Eleições podem gerar guerra civil em Honduras, diz historiador"
Olhando assim pensa-se que virá uma análise séria balizada nos seguintes fatos: 1) o ex-presidente Manuel Zelaya foi deposto pelos militares e considera a sua deposição ilegal, assim como as eleições de domingo agora; logo, seus partidários - com o apoio da Venezuela, Nicarágua e, por que não? o Brasil - podem apoiar um levante; 2) eleições latino-americanas são complicadas, ainda mais acima do Equador: no México mesmo, em 1994, o então candidato do PRI à presidência, Luis Donaldo Colosio, simplesmente foi assassinado; 3) somando '1' e '2', há uma possibilidade real de guerra civil ali. ISSO seria uma análise política séria. Vejamos o que o sr. Rafael Araújo diz."As polêmicas eleições presidenciais em Honduras, marcadas para este domingo, deverão agravar ainda mais a crise política que atinge o país, que poderá mergulhar em uma guerra civil caso todas as tentativas de negociação se esgotem. O cenário sombrio, que faz parte do passado político de muitas nações latino-americanas, é traçado pelo historiador Rafael Araujo, pesquisador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ."
Antes de mais nada: "Laboratório de Estudos do Tempo Presente"!? Que nome GAY! Noto um erro da condicional aí, o que torna a análise já furada no primeiro parágrafo. No momento, não há tentativa de negociação. Não significa que não haverão no futuro. Sem contar o "deverão agravar". Gente: O Zelaya saiu do poder, ameaçou voltar de avião, voltou clandestinamente ao Brasil, clamou um "pátria ou morte" e a coisa não mudou muito... Alguém sinceramente acha que a coisa mudará?
"Acredito que a comunidade internacional tem obrigação de não reconhecer o novo presidente. Essas eleições ocorrem sem a presença no governo de um mandatário legitimamente eleito e em meio a um golpe de estado, que inaugurou em Honduras um período de graves violações aos direitos humanos e à liberdade de expressão, através da figura de Micheletti", diz Rafael.
Apesar de tudo, gostei do sr. Rafael... Sem tergiversações, já disse a que veio. Nisso já é um pouco melhor que aquela estrupícia da USP. Mas é igualmente um imbecil. Só digo uma coisa: mostre-me ao menos UMA denúncia de que as forças hondurenhas estejam prendendo os opositores do Micheletti às cegas, que tenha matado sem piedade, que esteja torturando, que aí eu me convenço. Ah, e quando me mostrar isso, mostre-me os dados sobre como era no período do Zelaya. Noves fora o período de estado de sítio (previsto em TODA constituição democrática que se preze), duvido muito que os dados sejam muito diferentes. Mas aguarde que o sr. Rafael superará a uspiana em breve...
O presidente eleito na votação deste domingo não será reconhecido pela maioria dos países latino-americanos, União Europeia e ONU. Nas últimas semanas, algumas das principais cidades hondurenhas foram alvos de explosões de bombas caseiras e inclusive de armamento militar, segundo a polícia, sem provocar feridos. Até agora, os eventos violentos não alterarão o processo eleitoral, segundo as autoridades do Tribunal Supremo Eleitoral hondurenho (TSE), que já distribuiu a maior parte do material para as eleições com apoio das Forças Armadas e da Polícia.
"A abstenção eleitoral será alta. Creio que supere os 50%, em virtude da campanha pelo desconhecimento ativo das eleições que vem sendo desenvolvida pela Frente Nacional de resistência ao golpe de estado e movimentos sociais do país. Até a última terça, mais de 100 candidatos retiraram seus nomes das eleições. Acredito que isso demonstre o quanto às eleições estão sendo deslegitimadas no país", defende Rafael. "Quanto à violência, creio que, infelizmente, ela estará presente. A imposição do estado de emergência pelo governo, com o chamado de aproximadamente 5 mil reservistas do exército, e a repressão ao movimento pró-Zelaya apontam para isso."
Olha só, uma "republiqueta de bananas" com VOTO FACULTATIVO! Que inveja! Mas voltando ao assunto: se for pra chutar, acredito que a abstenção será MENOR que a média histórica hondurenha. Em todo caso, maior ou menor, a única maneira real de se avaliar o impacto do "golpe" será comparando com as eleições anteriores. Além disso, não necessariamente uma eleição com menos de 50% dos eleitores necessariamente é ilegítima. Isso depende principalmente das leis hondurenhas. Só pra lembrar: no plebiscito sobre a independência de Kosovo, mais de 50% foram favoráveis, mas o percentual foi menor do que o minimo oficialmente aceito pela comunidade internacional. E ainda sim fizeram o grande erro de reconhecer Kosovo.Mudando de assunto: vocês já repararam que, para uma "ditadura", há uma quantidade bastante saudável de protestos de manifestantes pró-Zelaya!? Onde está a repressão pra vir com cavalos, cassetetes, bombas de gás e brucutus? Quanto à convocação de reservistas, é como o título (parece que é a única coisa certa nesse artigo) diz tudo: há uma possibilidade concreta de guerra civil.
A situação de Zelaya e o abrigo concedido pelo governo brasileiro em sua embaixada em Tegucigalpa não deve se alterar após as eleições. Segundo Rafael, os grupos sociais e o próprio Zelaya não vão aceitar outra solução para o conflito que não inclua o seu retorno ao poder. Por isso, o historiador defende que o governo brasileiro deve continuar apoiando Zelaya, até que a ordem constitucional seja restaurada.
"Por mais que Zelaya possa ter cometido vários equívocos ao longo de seu mandato, nada justifica um golpe de estado. A democracia, a constituição e o respeito aos direitos humanos devem ser garantidos em Honduras. Neste sentido, a presença de Zelaya em nossa embaixada garante minimamente um olhar da comunidade internacional sobre Honduras, algo que não ocorreria com tanta intensidade se o Brasil não tivesse na linha de frente em defesa de Zelaya e da ordem democrática hondurenha", diz Rafael.
Bom, talvez o sr. Rafael não tenha percebido que o Zelaya continua não aceitando a situação, os movimentos sociais continuam não aceitando a situação e... NÃO ACONTECEU NADA! E o Rafael demonstra que não sabe PORRA NENHUMA da situação local, apenas palpitando, quando diz que "a democracia, a CONSTITUIÇÃO e o respeito aos DDHH devem ser garantidos em Honduras". Sério, tô com preguiça de citar a constituição hondurenha... O Brasil, a Venezuela, a Nicarágua e, assistindo tudo de camarote, a Espanha (já repararam no teor da cobertura do Terra?) no fundo querem aumentar sua influência política nas Américas, batendo de frente com os Estados Unidos; porém até agora sem sucesso. A única coisa que o sr. Rafael acerta é que o Zelaya realmente foi para a embaixada do Brasil para tentar gerar um fato político. Nisso ele quase conseguiu, forçando o Micheletti a negociar.
Agora vamos à parte mais CANALHA do artigo. Antes lembro o seguinte: quando o Zelaya foi deposto, os candidatos à presidência já estavam definidos, e não houve reclamações sobre eventuais autoritarismos no país até então. Está sentado? Vamos lá:
Pesquisas realizadas pelo CID-Gallup indicam que apenas dois candidatos lutam para se eleger na votação de domingo. O favorito é o conservador Porfírio Lobo, candidato do Partido Nacional, com 37% das intenções de voto. Em segundo lugar, Elvin Santos, do Partido Liberal, tem o apoio de 21% dos entrevistados. O candidato independente Carlos Reyes está em terceiro lugar com apenas 6% e não tem chances, de acordo com a imprensa hondurenha.
"Porfírio Lobo é um candidato que representa a direita hondurenha, possuidora de uma participação decisiva na articulação do golpe de estado. Apesar de ser favorito, Lobo é visto com desconfiança pelos setores marginalizados e excluídos socialmente por ser aliado da oligarquia hondurenha que há décadas controla o país", analisa Rafael. "O apoio do seu partido ao golpe de estado é um motivo a mais para tornar o próximo governo ilegítimo. O boicote popular e o rechaço internacional as eleições no meio de um regime autoritário, tornam o repúdio a um provável governo de Lobo ainda mais provável."
Aos 61 anos, Porfírio Lobo é filho do ex-congressista Porfirio José Lobo López - já morto. Ele cursou Administração de Negócios na Universidade de Miami, nos EUA, antes de voltar para Honduras e se dedicar aos negócios de agricultura e pecuária da família. Foi presidente do Congresso, do qual é membro desde 1990, entre 2002 e 2006. Nas eleições de 2005, quando Zelaya foi eleito, ficou em segundo lugar com 46% dos votos.
1) O sr. Rafael é MENTIROSO, já que, fora os candidatos de esquerda - um já furou o boicote do Zelaya...- TODOS eles fugiram do assunto "deposição/golpe" como o diabo da cruz, já que eles serão os principais perdedores caso haja problemas nas eleições de domingos;
2) O sr. Rafael é um GOLPISTA CANALHA. Todos os partidos, mesmo os de esquerda, são legais, e deslegitimar um partido, tal como um tribunal de exceção, é deslegitimar o regime hondurenho. Não somente o governo Micheletti mas TODO O PERÍODO DEMOCRÁTICO DE HONDURAS ATÉ ENTÃO. E ele não para por aí não. Permitam-me acrescentar o que ele falou do Elvin Santos:
Elvin Santos, 46 anos, é o candidato do Partido Liberal, o mesmo de Zelaya. Diretor da empresa de construção da família, foi acusado de conflito de interesses por ter contratos com a Secretaria de Obras Públicas de Honduras. Ele ocupou o cargo de vice-presidente no governo do presidente deposto entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, quando renunciou para se tornar candidato à presidência.
Em campanha, Elvin disse que seu objetivo será combater a pobreza, mas não deixou claro como fará isso, já que entidades como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial não estão concedendo empréstimos à nação devido à crise política. "Não se trata de uma luta de esquerda ou direita, ou de uma ideologia, trata-se fundamentalmente de enfrentar a pobreza", disse o candidato.
"Elvin Santos também não representa uma dissociação com o golpismo. Ele faz parte do setor do Partido Liberal que apoiou o golpe de estado, sustentando Micheletti no poder. Tanto ele como Lobo representam um setor político que, aliado com as oligarquias hondurenhas, articularam o golpe de estado e sustentaram um regime autoritário, que fere os princípios democráticos e os direitos humanos. Neste sentido, caso ele seja eleito a situação interna hondurenha continuará tensa e internacionalmente, provavelmente, ele terá pouco apoio e legitimidade", analisa Rafael.
Ou seja: os dois principais partidos políticos de Honduras, com quase 60% de intenções de voto do eleitorado (e até hoje NINGUÉM mostrou que as pesquisas são fraudadas), simplesmente são ILEGAIS, é isso!? Bom, o sr. Rafael já pode se comparar à uspiana, no fundo no fundo ele não reconhece é todo o período democrático hondurenho pós-volta da democracia. A coisa está complicada no meio acadêmico...
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Honduras 18 - Micheletti renuncia. Não era isso que queriam?
Mas aproveito aqui para fazer uns comentários indiretos sobre o tema:
- A maioria da imprensa (nacional e internacional) está fula da vida com o apoio dos EUA ao reconhecimento das eleições. Mas é engraçado que eles estão criticando o Departamento de Estado, e não o "governo Obama". Qualquer semelhança com o tratamento ao Lula não é mera conhecidência;
- Chamada de notícia da Folha de hoje: "EUA enviam observadores a Honduras - Polêmico Instituto Republicano Internacional, que elogiou golpe na Venezuela, terá monitores na eleição de domingo". Até aí tudo bem, também concordo que na ocasião houve realmente golpe. Mas olhem os seguintes trechos da notícia: "(...) A informação foi confirmada pela Folha no Departamento de Estado americano, que aponta que o equivalente democrata, o NDI, também estará presente". O Sérgio Dávila foi malandro, ele sabe que não existe Tribunal Eleitoral nos EUA (as eleições são fiscalizadas por comissões dos dois partidos). E antes que achem estranho essa coisa de partidos monitorarem eleições em outros países, eu digo que não é. Na Alemanha, por exemplo, o SPD e o CDU também têm fundações, bastante ativas aqui no Brasil (Friedrich Ebert e Konrad Adenauer, respectivamente), sem que, com razão, digam que estão interferindo nos assuntos internos.
A mensagem a ser levada em conta é que não é só o partido republicano e nem o Departamento de Estado que reconhecerão as eleições não, é o PARTIDO DEMOCRATA, DO BARACK OBAMA.
Terça-feira, Novembro 24, 2009
Honduras 17 - E a eleição está chegando...
(Sobre o Peru, uma coisa engraçada: ele é governado pelo Alan Garcia, do Partido Aprista Peruano, tradicional partido de centro-ESQUERDA. Ele já governou o Peru na década de 80, quando fez um governo calamitoso (hiperinflação e uma campanha de calote coletivo da dívida dos países do 3º mundo que só o Brasil estupidamente acreditou). Depois foi o Fujimori (Garcia teve que abandonar o país após uma tentativa de assassinato depois do "auto-golpe" fujimoriano), o conservador Alejandro Toledo (que o derrotou no 2º turno) e, após o temor do chavista Ollanta Humala tomar o poder - observação: o Garcia está com a popularidade baixa no Peru, e o Mala Anta pode ganhar em 2011 -, voltou à presidência. Porém hoje o Alan Garcia é visto como centro-direita!)
E assim o "consenso latino-americano" faz água. Espero que a razão volte aos tropicos e Honduras volte ao normal. A primeira coisa que eles deveriam discutir é a instituição do "impeachment" como punição intermediária à deposiçao pura e simpes. Como disse o Oscar Arias, é uma Constituição tenebrosa a deles (ainda sim é a Constituição deles). O novo presidente tomando posse é mais uma ducha de água gelada na política externa do Lula.