domingo, janeiro 17, 2021

FIM

Este blog encerra suas atividades aqui. Não porque fiquei vários anos inativo pelo fato de ter perdido tempo em redes sociais. Não porque me desdisse inúmeras vezes. Não porque encontrei outra coisa melhor para fazer da vida. Mas porque as big tech tornaram a internet na antítese do que ela deveria ser. Sou do tempo em que isso significava alguma coisa 

Minha política agora é a de encontrar alternativas às big techs. Ainda não existe uma alternativa à contento do Google como site de buscas (o Duck Duck Go ainda não chegou lá), ao Gmail, ao YouTube, ao Google Drive, ao "Google Office"... Mas quanto a blogs existem. Escolhi o WordPress para tal. Vocês podem me acompanhar no site https://espiritosinistro.wordpress.com 

Obrigado por todos esse anos, e o melhor ainda está por vir. 

PAU NO CU DAS BIG TECHS!!!

sábado, janeiro 09, 2021

A Internet 2.0 está morta. Longa vida à Internet 1.0

Antes de mais nada, queria escrever algumas coisas que são proibidas no Facebook aqui:

 VIADO  VIADO  VIADO  VIADO  VIADO  VIADO  VIADO  VIADO  VIADO  VIADO 

 BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA  BICHA 

HOMEM QUE ACHA QUE É MULHER CONTINUA HOMEM

MULHER QUE ACHA QUE É HOMEM CONTINUA MULHER

SÓ EXISTEM DOIS GENEROS

""Não se deite com um homem como quem se deita com uma mulher; é repugnante."

Levítico 18:22

"Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos,
nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus.
Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus."

1 Coríntios 6:9-11

"porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram.
Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos
e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.
Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos dos seus corações, para a degradação dos seus corpos entre si.
Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém.
Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas. Até suas mulheres trocaram suas relações sexuais naturais por outras, contrárias à natureza.
Da mesma forma, os homens também abandonaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros. Começaram a cometer atos indecentes, homens com homens, e receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão."

Romanos 1:21-27

segunda-feira, outubro 07, 2019

Os erros do governo Bolsonaro

(texto não editado feito em setembro de 2019. Marcado para a posteridade)

Com 9 meses já dá para ver para que rumo o governo Bolsonaro está indo. Houve algumas coisas boas, como o fim do horário de verão, a redução de tributos para tudo o que envolve jogos eletrônicos e, principalmente, a queda de homicídios (méritos para o Sérgio Moro). Economicamente houve a reforma da previdência, a queda mesmo que mínima do desemprego, o crescimento mesmo que mínimo da economia e a reforma tributária, muitíssimo mais difícil, está em vias de se iniciar.

Mas é aquele negócio: não existe nada que seja 100% bom, grandes expectativas geram grandes frustações, etc. E houve umas cagadas nesse período imperdoáveis. Segue a lista:

- Flávio Bolsonaro FUDEU com o governo do pai

A verdade é essa: o 01 foi flagrado no esquema das rachadinhas, por mais que a imprensa tenha ampliado os holofotes do escândalo nele e não nos outros deputados estaduais que faturaram muito mais. Com isso, o mandato dele como senador já nasceu morto. Mas não é só isso: graças a essa cagada ele conseguiu FUDER com o combate à corrupção do governo ao se utilizar do Dias Toffoli para praticamente paralizar as atividades do COAF. Graças a essa lambança (o que faz questionar se não seria uma má ideia cassá-lo) ele também está FUDENDO com a atuação do PSL no Senado - vide a pressão que culminou com a saída de Selma Arruda do partido.

- A obsessão com a Embaixada dos EUA

O Itamaraty possui um corpo diplomático altamente especializado (sendo juntamente com as Forças Armadas e a Receita Federal a única burocracia minimamente organizada do Brasil) e o cargo de embaixador dos EUA só perde em importância para o de chanceler. E o que o Jair faz? Cisma em colocar o filho como embaixador. Há várias coisas erradas nisso: 1) o Eduardo Bolsonaro foi o deputado federal com mais votos da história do Brasil. Para ser nomeado embaixador ele terá que renunciar ao cargo, o que representa um verdadeiro tapa na cara de seus milhões de eleitores; 2) ao renunciar ao cargo, devido à legislação eleitoral ele não poderá se candidatar nas próximas eleições, o que representaria um parlamentar a menos para o governo; 3) desde o anúncio dessa história ele não fez mais nada na Câmara. Cadê a mobilização pela CPI do Foro de São Paulo? E a mobilização contra a CPI das Fake News?; 4) a justificativa é a de que com o Carlos o Jair teria um canal direto com o Trump. Mas o que aconteceria caso, no ano que vem, o Trump perca as eleições, que serão apertadíssimas?; 5) criou uma necessidade de barganha com o Senado sem nenhuma necessidade. Quanto é que o Bolsonaro terá que liberar para que possa mandar seu filho pra gringa?

Saliento que nem toco na questão do nepotismo, na capacidade de um agente da polícia federal ser embaixador, etc.

- O passa-moleque que o Bolsonaro deu na Reforma da Previdência

Houve um momento único na história do mundo quando centenas de milhares de pessoas se manifestaram Brasil afora favoravelmente a uma reforma da previdência, que era propagandeada como igual para todos. Daí o sindicato dos policiais federais se manifesta na Câmara, chama o Bolsonaro de "traidor" e ele... PASSA A MÃO NA CABEÇA DELES, LIVRANDO-OS DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Lamento informar aos apoiadores do presidente, mas ele jogou todo o capital político que ele tinha com as ruas pela janela.

- A atuação calamitosa da bancada do PSL na Câmara

Esse Delegado Waldir é ruim demais, puta que o pariu!

- Não só a pauta de costumes não avançou 1mm como estão deitando e rolando para cima do Bolsonaro - com a aquiescência de alguns de seus apoiadores.

Eu passei a gostar do Jair Bolsonaro porque ele foi o ÚNICO parlamentar que se manifestou contra as cotas raciais na manifestação da Câmara. O que ele ou seus deputados fizeram até agora a respeito disso? NADA. Pior: no primeiro semestre o STF, num novo ativismo judiciário, inventou o crime de homofobia criando uma nova legislação. Neste semestre está previsto o julgamento para a legalização do consumo da maconha para fins recreativos, e o que o presidente/bancada está fazendo a respeito? NADA. Provavelmente o STF vai legalizar o aborto nos próximos anos, e o que o presidente/bancada está fazendo a respeito? NADA.

Aliás, PIOR: apoiadores do presidente estão discriminando quem está tentando se mobilizar contra a DITADURA do STF (sim, DITADURA, pois o presidente e os parlamentares podem não ser re-eleitos e/ou cassados, mas NINGUÉM votou num ministro do STF e o impeachment de um ministro do STF), com o argumento de que "isso não é importante no momento" ou, como o Olavo de Carvalho (tende sempre a ter razão) que "o problema não é o STF, mas sim a esquerda". A esses eu respondo: sim, a esquerda é o principal problema do Brasil, mas o STF é um enclave esquerdista no poder que está ferrando com o governo Bolsonaro e com o Brasil. A esquerda é um problema sim, que está queimando o Brasil internacionalmente sim, mas é o STF quem está ferrando o governo Bolsonaro por dentro da máquina estatal - e os inimigos internos são sempre piores que os externos.

PS: É uma pena que inúmeros apoiadores do Bolsonaro - e muitos olavettes -tenham sido nitidamente picados pela mosca azul. É por esse tipo de coisa que o Olavo recomendou que seus estudantes fugissem de Brasília.

quarta-feira, maio 15, 2019

Ranking dos melhores filmes MCU - De Homem de Ferro a Vingadores: Ultimato (excluíndo a Capitã Marvel e Hulk)

(Aviso de spoilers para Vingadores: Ultimato)

Segunda passada vi o último filme dos Vingadores. Engraçado que foi o primeiro deles que vi numa sala de cinema - tudo por causa da birra que adquiri e mantenho com o Heimdaln negão em Thor. Assim, chegou a hora de fazer um ranking idiossincrático - e sem a Capitã Marvel, pois me recuso a ver qualquer coisa onde promovam qualquer agenda (só vi Pantera Negra en español num ônibus do México, não contribuindo em nada para os cofres da Disney). Vamos pela ordem, do pior para o melhor:
20 - Thor 1

A rabeira da lista ficará com a linha de filmes que parecem ter sido feito com sérias restrições orçamentárias. Tudo bem que não foi esse o caso de nenhum dos filmes da MCU, mas quero falar aqui daquele tipo de filme onde o super-herói de alguma forma não usa/ é privado de seus superpoderes. Nesse aspecto, o primeiro filme do Thor é insuperável. Odin tira os seus poderes e ele vai lá para Midgard (terra) numa trama inssossíssima onde: 1) a magia é ciência; 2) seus parceiros tem zero de carisma; e 3) a Natalie Portman claramente estava em ponto morto depois de ter feito um papel pesadíssimo em Cisne Negro. Para não falar do Heimdall negão.

19 - Homem de Ferro 3

Aqui, por algum stress pós-traumático muito mal-explicado, Tony Stark adquire fobia de usar a armadura e combate as forças do mal em pele. Mas o grande acinte que faz com que um filme que lucrou mais de US$ 1 bilhão fique na rabeira foi o absurdo que fizeram com o Mandarim.

18 - Thor 2

Acabaram-se as restrições orçamentárias e sobrou todo o resto: trama inssossa, parceiros sem nenhum carisma e Heimdall negão. E nem falo da nuvem vilã... Felizmente o Thor terá melhor sorte em sua próxima aparição aqui. 

17 - Homem de Ferro 2

O problema desse filme é que padeceu das grandes expectativas causadas pelo primeiro filme. É uma continuação aquém, muito aquém do original.

16 - Homem-Formiga

Talvez o filme mais problemático nos bastidores (o diretor original foi demitido), mas é um filme bem redondinho, engraçadinho - tudo "-inho" mesmo. Mas bastante digno. Uma pena que o Homem-Formiga sofre do problema de vilões capengas.

15 - Homem-Formiga e a Vespa

Entretém mais que o primeiro (e serviu para amenizar a pauleira que foi Vingadores: Guerra Infinita), apesar de ter uma vilã ainda mais capenga. Acho que o pessoal da Disney poderia ter usado um vilão dos Vingadores fraco o bastante para estar nos filmes do grupo, mas bom o bastante para lutar o Homem-Formiga/Golias.

14 - Vingadores 2: A Era de Ultron

Joss Whedon tinha que fazer tanta coisa nesse filme (insinuar a Guerra Civil, dar mais pistas do Thanos, preparar o Thor: Ragnarok) que o filme ficou sem densidade. Para não falar daquela coisa ridícula chamada Mercúrio. Não é a toa que o Whedon acabou saindo da franquia (no que fez muito bem, é verdade). Mas deve ser destacado que o Gavião Arqueiro aqui ganha o merecido destaque, fazendo justiça ao fato do Jeremy Renner ser um atorzaço (vide "A Chegada").

13 - Vingadores 1

Aqui vou causar uma polêmica. O filme é o ápice da primeira fase do MCU e deve ser celebrado por isso. Mas coloco em um lugar aquém do que muita gente consideraria pelo fato de passarem quase meia hora consertando uma maldita de uma turbina. E nem vou falar da nuvem vilã...

12 - Capitão América 1

Um filme bastante fiel aos quadrinhos, mas que na verdade é mais um filme de guerra disfarçado de super-herói se vocês repararem bem. Cumpre sua missão dignamente e é bem perfeitinho, mas como filme de estreia não é o melhor.

11 - Guardiães da Galáxia 2

É quase uma cópia do primeiro, o que ainda o mantém num alto nível - e, na minha humilde opinião, bem acima dos dois primeiros Vingadores.

10 - Doutor Estranho

Basicamente é a mesma história do Homem de Ferro, mas com magia. É lisérgico e o confronto com o Dormammu foi de uma criatividade ímpar. Nem liguei para o fato do Ancião ter sido feito por uma mulher, quando no original é um asiático, porque mesmo isso não foi tão agressivo quanto o Heimdall negão ou a chata da M.J. (já chego nela).

09 - Homem-Aranha: de volta ao lar

Pronto, cheguei: a Zendaya é uma CHATA, e a personagem dela é MAIS CHATA ainda. Dito isso, esse foi o melhor Homem-Aranha desde o Homem-Aranha 2 com o Dr. Octopus. Primeiro por ter abdicado de contar mais uma vez a origem dele, depois por tê-lo transformado num adolescente e não num jovem universitário... Mas principalmente pelo vilão. O Michael Keaton como Abutre foi talvez até mais que o Thanos - e empatado com o Loki - o melhor vilão do MCU. Também merece créditos o fato de ter transformado o pior clichê dos filmes do aracnídeo (o vilão descobrir a identidade do Homem-Aranha) num momento surpreendente e verdadeiramente tenso. E conseguiram transformar a descoberta da identidade pela Tia May (!) em algo divertidíssimo.

08 - Pantera Negra

Uma pena que os chatos de sempre fizeram um carnaval danado contra o filme que me impeliu a não vê-lo, pois o filme é muito bom - e sem 99,9% do que esse pessoal queria que tivesse (para não falar que tem uma mensagem involuntariamente antimigratória fortíssima se prestarem bem a atenção). Também tem um vilão excelente (mas que não era o Michael Keaton) e Wakanda é um desbunde aos olhos. Eu espero que a Disney/Marvel não faça a cagada de transformá-lo num ícone anti-racista da vida.

07 - Capitão América: Guerra Civil

A trilogia do Capitão América é a melhor de todas, e esse resultado no ranking talvez seja também controverso, mas aqui o problema é a trama. Como foi apontado no Honest Trailers, a quantidade de coincidências para que toda a história ocorresse é absurda. Para não falar de como o Ossos Cruzados foi desperdiçado, a falta de verossimilidade nas motivações do Tony Stark para que ele tomasse o lado que tomou...

06 - Thor 3

É ISSO que queríamos ver o tempo todo num filme do Thor! Sem restrições orçamentárias! Lisérgico, com o Thor quebrando tudo. Até a Valquíria negona é ótima. Para não falar que também é um filme do Hulk... E É ISSO que queríamos ver num filme do Hulk! Sem nuvem como grande vilã! Sem filtros escuros de filmagem! Para não falar que a participação do Heimdall negão aqui é mínima. Dois filmes que gostaríamos de ver em um só...

05 - Guardiães da Galáxia 1

Os idiotas da objetividade dirão que se trata de "Os Vingadores" no espaço. Mas aqui eles não passam meia-hora consertando uma turbina nem tendo que fazer um monte de ligações para os outros filmes. Para não dizer que a química das personagens é ótima, a trilha-sonora idem... 

04 - Vingadores: Ultimato

Aqui é que vão me linchar - mas pô, ele quase entra no pódio! O filme é sensacional, fecha com chave de ouro 10 anos de filmes, tem momentos trágicos relevantes - além do o fato do Loki ter roubado o Tessaract significa que o Thor 2 não aconteceu... Mas o problema é que ele passa boa parte de suas três horas em viagens do tempo com personagens se reconciliando com o seu passado em algo que - aí sim - é melodramático (talvez seja isso a que o crítico da Folha tenha se referido - e que me recuso a conferir pelo fato de não ler a Folha há mais de 5 anos). Além disso, como é que a Nebulosa mata sua versão do passado e ainda sobrevive?

03 - Homem de Ferro 1

Minha memória não me permite lembrar muito, mas me recordo que achei um filme redondo na época. Isso, mais o fato de ter sido a película que iniciou essa bagaça toda - além de ter ressuscitado a carreira do Robert Downey Jr. - faz com que mereça o bronze com louvor.

02 - Capitão América 2: O Soldado Invernal

É aquele filme onde esperávamos toda a tecnologia da S.H.I.E.L.D., e ela vai embora. O patronato do Nick Fury? Também. Os irmãos Russo trazem outra história digna da dos quadrinhos, onde o Capitão age no limite de suas forças, contando apenas com a ajuda da Viúva Negra e do seu recém-sidekick Falcão. Além da volta do Bucky, que por muito tempo foi um dos únicos personagens verdadeiramente mortos dos quadrinhos, junto com o segundo Robin e o Tio Ben - hoje só o fator motivacional do Homem-Aranha continua realmente morto. É o homem contra o mundo, é o arquetípico do americano dando um foda-se para que todos pensam e agindo da maneira que acha certa (tendência ainda mais explorada em Guerra Civil) e uma trama bem mais crível que na sequência.

01 - Vingadores: Guerra Infinita

Não dá para comparar: enquanto que em Ultimato o filme começa com Tony Stark e Nebulosa desolados vagando no espaço até a Mary Sue da Capitã Marvel chegue para salvar a pátria, o Guerra Infinita começa com Thanos já tendo nocauteado Thor, nocauteando o Hulk (deixando-o com um stress pós-traumático mais crível que o do Tony Stark) e MATANDO aquele que fora o principal vilão de TRÊS filmes do MCU. E nada o impedirá até que atinja seus objetivos. Vou pegar duas referências nerd externas: 1) o cerco a Wakanda é parecido com o cerco das tropas de Sauron a Helm's Deep em Senhor dos Anéis: As Duas Torres, mas aqui é como se os ents não aparecessem e a batalha resultasse na morte da metade da Sociedade do Anel; 2) a história é bastante semelhante à primeira metade de Final Fantasy III (ou VI), em que o vilão Kefka resolve perturbar a ordem natural das coisas e acaba destruindo o mundo.


segunda-feira, abril 29, 2019

Cartilha para lidar com spoilers no MCU (spoilers apenas do Vingadores: Guerra Infinita)

Ainda não vi Vingadores: Endgame e mesmo sem nem ter prestado atenção a nenhum spoiler imagino o que pode acontecer apenas em olhar para fora dos filmes. Explico: os atores fazem filmes por meio de contrato, e os do MCU fazem para vários filmes. Analisando dessa maneira, é só ver em quantos filmes eles já apareceram (não conto participações especiais aqui, como o do Homem de Ferro no Homem-Aranha: de volta para a casa):

Homem de Ferro - Em seus três filmes, mais no Capitão América: Guerra Civil e em 4 Vingadores (8 filmes).

Máquina de Combate - 2 Homens de Ferro (lembrando que no primeiro foi um outro ator que fez), 1 Capitão América e 3 Vingadores.

Capitão América - Em seus três filmes e nos quatro Vingadores - 7 filmes

Thor - Em seus três filmes e nos quatro Vingadores - 7 filmes

Assim, pressuponho que alguma coisa irá acontecer com eles para irem embora (morte, Valhalla, etc.).

Vamos aos outros:

Hulk - Nos 4 Vingadores e no segundo filme do Thor - 4 filmes

Gavião Arqueiro - Em 3 Vingadores mais no Capitão America: Guerra Civil - 4 filmes.

Feiticeira Escarlate - 2 Vingadores e 1 Capitão América. Seguramente irá ressuscitar. Seria ótimo fazerem um retcon dela descobrindo que a Hidra só a aceitou para os experimentos porque sabiam que ela era uma mutante.

Bucky - 2 Capitão América e 1 Vingadores. Ele poderia tomar o legado do Capitão América.

Falcão - 2 Capitão América e 1 (2?) Vingadores.

Assim, provavelmente eles sobreviverão/ressuscitarão. Não cravo, porém, por serem personagens secundários (o Hulk imerecidamente).

Agora vamos aos que com certeza sobreviverão:

Homem-Aranha - O trailer do novo filme já está passando, e o primeiro filme ficou redondinho - apesar daquela Zendaya ou algo assim ser uma insuportável.

Guardiões da Galáxia - O terceiro filme recém foi confirmado, então eles voltam (e uma das curiosidades para ver esse Vingadores é saber qual é o destino da Gamora).

Homem-Formiga - Também volta, pois só participou de seus dois filmes (o segundo é muito melhor que o primeiro, apesar da vilã insossa) e do Capitão América: Guerra Civil.

Pantera Negra - Participou de 3 filmes e seu filme foi um sucesso estrondoso. Ressuscita.

Capitã Marvel - Apareceu até agora em apenas um filme, que também foi um sucesso. Mantém (e será a pessoa em potencial que lascará com o MCU se a Disney não tiver aprendido o que houve com Star Wars).

Dr. Estranho - Participou apenas de seu filme (que foi bem-sucedido) e dos Vingadores: Ultimato. Vai voltar.

Nick Fury - O Samuel L. Jackson teve participações importantes no Homem de Ferro 2, Capitão América 2, nos dois primeiros Vingadores e na Capitã Marvel. Geralmente os contratos da MCU são para 6 filmes, então estaria faltando mais um filme. Como ele está fora do Ultimato então faltaria ainda um filme.

Agora vem a grande interrogação:

Viúva Negra - a Scarlet Johansson participou de 4 Vingadores, 2 Capitão América e fez uma participação importante no Homem de Ferro 2. Pelo fato de sair um filme dela em 2020 eu poderia dizer que ela sobreviveria. Mas a questão é: será que o filme não se passaria no passado?

Visão - Apareceu em 2 Vingadores e em 1 Capitão América. Porém ele fez a voz do Jarvis nos 3 Homens de Ferro e no primeiro Vingadores. Como ele tem a Joia da Alma, pode ser que ele não volte quando derrotarem o Thanos (o quê, isso não é spoiler!)

Futuro

Como sabem, a Disney comprou os estúdios da Fox, que detém os direitos dos X-Men. Mas a imagem deles está muito desgastada, sobretudo pela recepção negativa ao X-Men: Apocalipse e a baixíssima expectativa que há em relação à Fênix Negra. Assim, acredito que darão um tempo com os mutantes (até porque falaram que não há cena pós-créditos no Ultimato) . Antes deles, porém, introduzirão um outro personagem da Marvel que, tal como o Tony Stark, também entende muito de ciência: Reed Richards. Basta ver como fizeram com o Homem-Aranha: o Espetacular Homem Aranha 2 saiu em 2014, o Capitão América: Guerra Civil em 2016 e o Homem-Aranha: de Volta ao Lar em 2017. A outra alternativa seria lançar ou novo X-Men daqui a 2 anos, mas com personagens desconhecidos ou que apareceram pouco. Segue uma lista:

- Gambit (se o filme-solo dele for cancelado)
- Dinamite
- Forge
- Cifra e Warlock
- Cristal
- Longshot
- Estrela de Fogo
- Rictor

quinta-feira, abril 04, 2019

Sega Genesis Mini - O Meguinha

Com o sucesso dos NES e SNES Mini (do qual sou um felizardo proprietário) e com o fracasso do PSOne Mini (pois os jogos da 5ª geração envelheceram como leite), a Sega finalmente tomou vergonha na cara e anunciou um Sega Genesis Mini minimamente decente, com cabo HDMI e controles USB, como pode ser visto aqui:


Infelizmente, como sói acontecer com as cagadas da Sega, o Meguinha só virá com o controle de 6 botões no Japão. E serão 40 jogos, o que é mais que os 30 disponíveis em cada mini da Nintendo. Vou analisar os 10 jogos confirmados no Japão e nos EUA (descontando repetidos, 15), para daí sugerir outros 20:

Japão:

- Sonic 2 (Mais que obrigatório)
-  Puyo Puyo 2 (Não sou muito versado em Puyo Puyo, mas tenho o Puyo Puyo Tetris do Switch e devo admitir que ao menos um Puyo Puyo deve constar dentre os 40).
- Shining Force (Também não sou muito versado em RPGs, mas esse é um dos melhores do Mega - senão O melhor -, então entra);
- Castlevania Bloodlines (Opa! Jogo da Konami, que abandonou os videogames para se dedicar ao pachinko. Não é o melhor Castlevania que existe, mas merece sim entrar).
- Powerball (Jogo de futebol top down modernoso - para a época. Absolutamente dispensável. Mas é da Namco - isso significa que a Sega está num bom relacionamento com as outras 3rd parties).
- Gunstar Heroes (Obrigatório. Aliás, por onde anda a Treasure?)
- Comix Zone (Obrigatório)
- Rent a Hero (Bizarrice que nem deveria ser considerada)
- Space Harrier II (Da cota dos jogos iniciais do Mega)
- Madou Monogatari Ichi (Da cota de RPGs japoneses).

EUA:

- Altered Beast (Da cota dos jogos iniciais do Mega)
- Castlevania Bloodlines
- Comix Zone
- Dr. Robotnik's Mean Bean Machine (Outro Puyo Puyo - e espero que só haja um)
- Ecco the Dolphin (Obrigatório também)
- Gunstar Heroes
- Shining Force
- Sonic the Hedgehog (Mais que obrigatório)
- Space Harrier II
- Toe Jam & Earl (Fico extremamente feliz pelo fato da Sega ter se acertado com os criadores do Toe Jam & Earl).

A lista por enquanto está muito boa. Mas podemos melhorar bastante. Segue a lista:

- Sonic 3 e Sonic & Knucles. Isso nem deveria ser sugerido para a Sega, mas aqui há um grande problema: esses jogos não estão sendo incluídos em coletâneas desde a morte do Michael Jackson, que participou das composições, por questões de direitos autorais. O pessoal da Sega realmente deveria conversar com a Paris Jackson...

Falando em Sonic, a Sega deveria tomar vergonha na cara e usar a versão para smartphone feita pelo Christian Whitehead (que simplesmente fez o Sonic Mania), já adaptada para HD - e com uma fase extra no Sonic 2.

Streets of Rage 1, 2 e 3 - Devendo fazer como fez no Sega Genesis Classics e dar a opção de jogar a versão japonesa - o caso do SOR3 é IMPOSSÍVEL jogar a versão americana de tão difícil que é.

Golden Axe 1 e 2 - São beat 'em ups excelentes. O 3 dá para descartar.

Aliem Storm - Um Golden Axe galático.

Bonanza Bros - Ótimo para jogar de 2

Flicky - Da cota dos jogos iniciais.

Gain Ground - Da cota dos jogos iniciais - e dos melhores. Aliás, a versão do Mega é melhor que a do arcade.

Revenge of the Shinobi e Shinobi III - O primeiro é o melhor jogo da cota dos jogos iniciais. O segundo, para falar a verdade, eu nunca joguei, mas o consenso é que ele é melhor que o primeiro.

Shadow Dancer - Talvez seja esse o "Shinobi II". Em todo caso, é muito bom - e, assim como Gain Ground, é melhor que o arcade.

Kid Chamaleon - Jogo extremamente desafiador na época (principalmente por ter mais de 100 fases e não ter nenhuma maneira de salvar o jogo).

Decap Attack - É um classicasso do Mega

Eu não sou muito fã de RPGs e não posso falar sobre os Phantasy Star, Landstalker, Sword of Vermilon, etc. Assim, não tenho condições de falar sobre eles. Partirei agora para as third parties.

Contra Hard Corps - Se a Konami permite o Castlevania ela tem que permitir o Contra, que é o MELHOR contra de todos.

International Superstar Soccer - Pouca gente sabe, mais o Allejo também jogou no Mega.

Sunset Riders - É uma versão mais simples do arcade e do SNES. Mas não importa: o Cormano está lá. E ao contrário das Tartarugas Ninja, o jogo é de propiedade intelectual da Konami

Ghouls 'n Ghosts - Faltou a Capcom de third party na lista dos jogos. Assim, fica a sugestão de colocarem esse jogo, uma vez que colocaram o Ghost 'n Goblins no NES Classic e o Super Ghouls 'n Ghosts no SNES

Strider - É disparado o melhor jogo da Capcom para o Mega - e um dos melhores de todos. E com 8 MEGA de memória!

Super Street Fighter II - Porque se a Capcom entrar vocês sabem que colocarão um Street Fighter.

Rolling Thunder 2 - Se a Namco pode colocar um jogo de futebol chumbrega, pode colocar essa excelente adaptação do arcade.

Gaiares - É um caso complicado, pois o jogo foi feito pela defunta Telnet Japan. Mas como os direitos dos jogos foram comprados pela Sunsoft, que ainda está por aí lançando novos Blaster Masters (NÃO joguem o do Mega), quem sabe?

Steel Empire - Outro caso bastante complicado, pois foi lançado por uma tal de Hot B. Mas, como os desenvolvedores já lançaram um remake para o Game Boy Advance e DS, talvez uma boa conver$a resolva.

Castle of Illusion, Quackshot e Aladdin- Esses eu sei que é um sonho, pois a Sega, por mais que tenha feito os jogos, teria que discutir com a Disney. Mas o que a Disney teria a perder com isso?

Falando em Disney, agora que ela possui a Marvel...:

X-Men 2 - O 1 é meia-boca. O 2 é infinitamente melhor, sobretudo pelo fato de poder usar os poderes mutantes à vontade - além de poder jogar com o Magneto.

Homem-Aranha - Além de ser bom, é da cota dos primeiros jogos.

Flashback - Foi lançado recentemente o remake do Flashback, e não creio que seria muito difícil assim colocar o original no Mega. Afinal, o Cuphead não está vindo para o Switch 1 ano e meio após ser lanxado no Xbox One?

Thunder Force 2, 3 e 4 - Jogos de nave excelentes. O problema é que são da finada Technosoft. A Sega conseguiu comprar o direito de todos os jogos da Technosoft. POREM, o direito das músicas não o foi.

Devil's Crush - Sensacional jogo de pinball que também era da Technosoft

segunda-feira, abril 01, 2019

Bolsonaro, 100 dias - Seja dividido, seja conquistado

Com 90 dias do governo Bolsonaro, já está claro que está havendo uma divisão entre os principais grupos de apoio ao presidente: os liberais, os conservadores e os militares.

Desses, os liberais são os mais discretos. Tendo como ícone máximo o Paulo Guedes, estão tendo como principal foco a reforma da previdência. O outro grande foco, as privatizações, aparentemente foi deixado de lado por enquanto, seja pela dificuldade intrínseca da reforma, seja pela idiotice do Bolsonaro e dos militares sobre os malfadados "setores estratégicos" (o engraçado é que não existe nada mais estratégico que água e comida, e rigorosamente ninguém é louco de propor um monopólio estatal na produção dessas commodities...). Obviamente os liberais adorariam que o Bolsonaro se dedicasse mais à reforma da previdência, que não tivesse cedido ao corporativismo militar (lembrando que o Bolsonaro pré-PT era essencialmente um deputado classista) e, sobretudo, que não houvesse esse bando de conservadores boquirrotos querendo inventar moda. E se você acha que liberal e conservador é tudo a mesma coisa, você precisa estudar a política ocidental (Brasil inclusive) do Século XIX. Felizmente essa briga de liberais e conservadores ainda não chegou no Paulo Guedes, que é esperto o bastante para reconhecer que sem estes a pasta da economia estaria com alguém mais ligado à social-democracia.

Por sua vez, os militares, por mais que não professem conscientemente o positivismo, comportam-se como positivistas. Grosso modo, os positivistas foram "isentões" que se achavam superiores às correntes partidárias, eram focados na tecnocracia e, acima de tudo, achavam essa coisa de religião, já  na segunda metade do Século XIX algo muito démodé. Em outras palavras: já não gostavam de conservadores. Isso está evidente no governo Bolsonaro principalmente na confusão dentro do Ministério da Educação, mas também na (não há como dizer outra palavra) afronta que o Mourão fez quando defendeu a legalização do aborto, criticou a saída da Ilona Szabó do  Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e achou bacana os civis venezuelanos não estarem armados para poderem se defender da ditadura do Maduro. Sobretudo após a primeira declaração (sobre o aborto), o cisma é insanável e só tende a piorar, como pode ser visto na troca de farpas entre os militares e o Olavo de Carvalho (justiça seja feita: no caso do Santos Cruz o filósofo foi atacado gratuitamente).

Finalmente, os conservadores. E aqui há indícios de outro cisma, entre os evangélicos e os olavetes, que foi iniciado com a crise de ciúmes do Malafaia quando o Bolsonaro reconheceu que sem o Olavo não teria chegado à presidência. Para isso, o Malafaia aparentemente passou a ser subsidiado por um conhecido desafeto do Olavo (antes habitué do Mídia Sem Máscara), o Júlio Severo. Quanto aos olavetes, eles aparentemente seriam o (sub-)grupo mais fraco, mas eles contam com dois trunfos: 1) são, ao lado dos liberais, o grupo intelectualmente mais preparado; e 2) o Olavo até a presente data é o único que mantém uma fidelidade canina não só ao presidente, mas à família Bolsonaro (falando nisso: o Eduardo - que, na minha humilde opinião o melhor dos filhos - é aluno do COF). Imagine-se sendo o Jair Bolsonaro, tendo que ouvir toda hora alguém criticando seus filhos por fazerem besteira, e ver que há pessoas defendendo sua prole? Sendo que esse alguém tinha certeza absoluta que você iria estar na presidência enquanto ninguém acreditava seriamente nisso? Além disso, o Bolsonaro é um cripto-evangélico (sobretudo após o atentado), e está afinadíssimo com a agenda conservadora - não sei se ele ainda mantém aquela divergência em relação ao controle de natalidade.

Resumo da ópera:

- Os liberais queriam muito governar sozinhos, mas reconhecem que sem os conservadores não estariam ali, e que os militares seriam muito melhores se não fossem tão corporativistas.

- Os militares reconhecem que os liberais são excelentes na economia, mas querem garantir o seu e se livrar desse bando de gente primitiva que ainda acredita em religião.

- Os conservadores ainda não sabem que precisam acabar com a essência do "Ordem e Progresso" e por enquanto estão tranquilos com os liberais - desde que não saiam do seu quadrado econômico.

- Olavo terá razão.

- O Congresso quer arrancar o couro do Executivo, e os deputados do PSL são um bando de cabaços que votam sem saber no quê.

- O Judiciário é a nova aristocracia absolutista: fazem o que querem, quando querem, e ainda perseguem quem acha ruim. Para não falar no estado de negação em que se encontram ao dizer que são bots quem os estão maldizendo.

terça-feira, janeiro 08, 2019

Bolsonaro, Semana Um

O que se pode dizer do governo Bolsonaro? Bem:

1) Até agora não houve um estelionato eleitoral como com o confisco da poupança do Collor logo no dia seguinte à posse. Mais uma semana e o Bolsonaro superará o segundo governo FHC após a desvalorização do real em 15 de janeiro de 1999. Na questão econômica por enquanto não há indícios que haverá uma explosão da inflação, tal como com o Sarney após as eleições para governador de 1986 e no segundo governo Dilma.

2) A Damaris virou o bode expiatório da imprensa. Quanto mais o Bolsonaro a mantiver no ministério que nem deveria existir, mas o Moro e o Guedes farão o que deve ser feito.

3) O Bolsonaro quer acabar com o "presidencialismo de coalizão" clássico, onde o Executivo negocia com os líderes partidários para aprovar leis, dando em troca verbas (o que por si só não haveria nada demais) e cargos comissionados. A solução na qual ele investirá pode ser chamada de "downsizing político". Este termo, tão temido na administração, significa a redução dos cargos intermediários entre a chefia e o chão da fábrica. O que o Bolsonaro pretende é fazer uma reorganização por bancadas de interesse (da bala, evangélica, ruralista, etc.) e dar um passa-moleque nos líderes partidários. Dará certo? Isso o tempo dirá, mas não acho que os líderes das principais bancadas ainda podem ser prescindidos. E nisso chegamos no principal defeito do governo até agora, que é um defeito de todos nós, brasileiros:

4) O patrimonialismo. Em todo o histórico parlamentar do Bolsonaro (talvez não quando ele já se visse candidato à presidência), ele nunca, JAMAIS titubeou em usufruir de todas as vantagens que um deputado federal tem direito: passagens, imóveis funcionais, verbas de gabinete, vantagem cumulativa para passar o rodo no imóvel funcional, nepotismo para empregar a esposa em seu gabinete... A peixada para o filho do Mourão no Banco do Brasil (em que pese o fato dele ser escriturário de carreira) é um mau sinal.

5) Outro mal sinal é desagradar a classe média que votou nele. A declaração do presidente da Caixa que ela terá que pagar juros de financiamento de mercado (de um mercado extremamente oligopolizado, diga-se), pegou muito mal (se duvidam, tentem achar algum eleitor do Bolsonaro na área dos comentários defendendo a medida). Já há uma reforma da previdência extremamente dura para ser aprovada, e a última coisa que o Bolsonaro precisa é que se avolumem motivos para que as manifestações de esquerda que virão ganhem força.

6) Essas são as palavras de um burocrata federal: a ideia da CGU em redefinir os critérios para indicação de cargos comissionados é ótima. Mas pode ser que a "despetização" não ocorra a contento. No ministério mesmo onde trabalho, a Rádio Corredor está dizendo que comissionados que se refugiaram no Planalto após o impeachment da Dilma estão prestes a voltar.

quinta-feira, outubro 18, 2018

Interlúdio: O meme dos NPCs (você ainda ouvirá falar dele)

Enquanto o Haddad quer que a candidatura do Bolsonaro seja cassada baseada numa notícia da Folha que é, até agora um disse-me-disse, vamos ao mundo encantando dos memes.

Vocês conhecem obviamente o feels guy

Agora, apresento-lhes o NPC guy

NPC, para quem não jogou RPG nem viu o remake de "Jumanji", significa "Non-Player Character". Explicando: é aquele tradicional personagem dos RPGs que, não importa o que aconteça, sempre terá os mesmos diálogos e as mesmas funções.

A primeira publição do NPC guy foi em 2016 na versão alemã do 4chan, o Krautchan, mas explodiu para valer em setembro deste ano no 4chan quando um "anônimo" resolveu levantar a questão existencial "seríamos todos NPCs?". É uma questão seríssima, diga-se, principalmente com aquele questionamento budista eternizado pelo Raulzito "sou um sábio chinês que é uma borboleta ou uma borboleta que é um sábio chinês?"
No fundo no fundo, é um questionamento às "pessoas-clichês", principalmente no "seja você mesmo!". Já repararam que quanto mais a pessoa quer ser diferente mais a pessoa é igual aos outros que a rodeiam? Vê as mesmas séries, tem os mesmos penteados, se tatua do mesmo jeito...

Involuntariamente, os anônimos do 4chan entraram numa problemática de quase 100 anos. Qual a diferença entre um NPC e "Os Homens Ocos" do T. S. Elliot, de 1925? Ou do "Homem-Massa" do Ortega y Gasset, de 1929? Quem falou também desse conceito foi o Eric Hoffer, que os chamava de "Fanáticos" (True Believers), o nosso Nelson Rodrigues ("Cretino Fundamental") e, num escopo mais limitado, o Olavo de Carvalho ("Imbecil Coletivo").

Como vocês podem perceber não é um conceito muito simpático à esquerda, e gerou uma gritaria por parte da esquerda americana e parando no The New York Times (obs: não que o NYT seja grande coisa, mas enfim).

Adaptando para a realidade eleitoral brasileira, os NPCs atualmente são principalmente o pessoal do anti-Bolsonaro que não vai votar nele porque ele é "racistamachistahomofóbico", porque "ele vai implantar uma ditadura", que fica fazendo fanfics, etc. É possível ser contra o Bolsonaro e não ser NPC? Claro que sim! O Fernando Gabeira - que foi acusado de ser bastante condescendente com o Jair na sabatina da GloboNews - mostrou que não é um

E é possível haver NPCs pró-Bolsonaro? Basta dar uma simples verificada na área de comentários de qualquer veículo da imprensa no Facebook que vocês os verão. Como diria o Baltasar Gracián, "metade do mundo briga com a outra metade - e ambas são idiotas". O problema é muito mais acentuado na esquerda, mas não é só ela que tem disso não. No caso da direita, como bem salientou o Bernardo Küster, é a tal da "direita outfit".

A única maneira de sair do mundo do NPC é fugir como o diabo da cruz de frases como "seja você mesmo!", "pense com sua própria cabeça!", etc., deixar de se achar especial só porque fica vendo as séries que todos vêem no Netflix e sempre buscar os fundamentos das coisas. E aí, meu amigo, é partir pros clássicos.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Notas sobre as eleições federais (16) - Elogio ao WhatsApp

Em 2008 e 2012 Barack Obama utilizou-se da internet para se (re-)eleger presidente dos EUA. Em 2016, os republicanos (na verdade o Trump - a cúpula partidária foi contra o topetudo laranja até o último momento) usou das mesmas táticas, valendo-se da trindade Facebook, Twitter e Google (pelo YouTube) para fazer o mesmo. Eleitoralmente, o Trump ganhou no Cinturão da Ferrugem, mas na internet, ele ganhou foi nos memes - principalmente o site-lixo mais influente da internet, o 4chan.

Imagem acima, como o pessoal do 4chan viu a história toda.

Pois bem: como é público e notório (e se você não sabia disso, dê uma olhada na primeira conferência semanal interna do Google após a eleição do Trump, com os principais nomes do Google - incluindo fundadores, CEO e CFO -tentando consolar os empregados e falando que "vão tomar atitudes" para que isso não ocorra https://www.youtube.com/watch?v=-he5S1UFeC8), TODO o Vale do Silício é de esquerda, e eles atribuem a vitória do Trump ao fato de que "hackers russos" influenciaram os eleitores americanos a votarem no Trump baseados em "fake news". A partir daí, passaram a fazer uma legítima caça as bruxas aos supostos sites de "fake news" (na verdade, conservadores), desde restringir o alcance de canais/pessoas conservadores (o mais famoso caso foi com o Prager University, onde inclusive estão levando processo - se você não conhece os vídeos do Praguer, recomendo avidamente) ou até excluindo-os, como no caso do mais que controverso Alex Jones, que, estranhamente, teve suas contas removidas da Apple, Facebook, YouTube e Spotfy NO MESMO DIA 06 DE AGOSTO (o Twitter demorou um pouco mais para excluí-lo - e sabe-se lá o porquê que o Google ainda mantém aplicativo do InfoWars, tendo excluído o Gab por ser "supremacista").

O Facebook (em cuja versão brasileira já não mais se pode dizer a palavra "viado" sem tomar ban, não pode mais fazer citações bíblicas literais condenando o homossexualismo e que tem como nome de salas de reuniões "Zumbi dos Palmares", "Marielle Franco" e "Respeita as Mina"), para combater essas "fake news", fez convênios com supostas agências verificadoras "isentas", como a Agência Lupa, que fica hospedada no site da Revista (ó!) de esquerda Piauí, da família co-proprietária do Banco Itaú Moreira Salles (que é tão ou mais esquerdista que a outra família, a Setúbal), mas de alguma maneira é considerada "isenta". O Mark Zuckerberg inclusive disse que nas eleições brasileiras ocorreria o grande teste de combate à "fake news". E parecia estar tudo ocorrendo nos conformes, com exclusão de contas ligadas ao MBL, contas de conservadores como o Olavo de Carvalho, Nando Moura e Bernardo Küster sendo devidamente banidas por 30 dias no início das eleições "porque sim"...

O problema é que, ao contrário dos EUA, a principal ferramenta de comunicação no Brasil não é o Facebook, muito menos o Twitter (e o Nando Moura está grande demais no momento para cair no Youtube). Aqui, o que manda é o "ZapZap". Por mais que o WhatsApp seja do Facebook, por mais que os fundadores do WhatsApp tenham saído da empresa em desacordo com as ideias do Zuckerberg para o aplicativo (ver aqui e aqui), não houve tempo hábil para o Zuckerberg implantar o seu pacote de maldades.

Em tese dá para se ser banido sim do WhatsApp, mas o processo é tão complicado e tão pouco divulgado que praticamente nunca acontece. Além disso, mesmo que não fosse, até pela característica do aplicativo (é mais uma caixa de ressonância que uma comunidade aberta), não iria funcionar a contento.

A campanha do Bolsonaro não só aprendeu a utilizar a internet da maneira com que os republicanos a usaram, como fez a devida e correta adaptação aos trópicos. E é exatamente por isso que o Haddad está chiando tanto com o aplicativo: eles esperavam uma campanha à americana, mas os principais cabos eleitorais são os Tiozões do Zap.


segunda-feira, outubro 08, 2018

Notas sobre as eleições federais (15.1) - Estados e Municípios

Em relação aos estados, houve três mudanças fundamentais em relação ao cenário nas últimas eleições:

1) O PT oficialmente perdeu o Rio de Janeiro, estado onde ele não perdia desde 1998. A coisa foi tão feia que o Ciro Gomes é quem ficou em segundo lugar (deve ser debitado isso ao fato dele ter sido quem mais se engajou junto à esquerda caviar carioca). A situação está em tal ponto que o Bolsonaro teve 1,4 milhão de votos a mais que o Aécio teve NO SEGUNDO TURNO!

2) O PT perdeu feio em Minas Gerais. Graças ao "efeito Novo", perdeu no Triângulo Mineiro, Central de Minas, Oeste, Noroeste, Zona da Mata e Vale do Rio Doce (embora estas duas últimas sejam regiões um pouco mais conflagradas). Só conseguiu conservar o Norte (embora tenha perdido em Montes Claros), Vales do Jequitinhonha e Mucuri (embora tenha perdido em Teófilo Otoni). Sem o palanque do Pimentel a sangria será maior, tenham certeza.

3) O PT e a Marina perderam oficialmente o Acre. Eleitoralmente o peso é praticamente nenhum, mas tirar de cena os Irmãos Viana não deixa de ser uma façanha.

Já quanto aos Municípios, estão ocorrendo as seguintes coisas bastante interessantes:

1) Além de ter perdido o estado do Rio de Janeiro, o Haddad perdeu toda a região metropolitana. Em 2014 o Aécio só conseguiu ganhar em Niterói. Nessas o Bolsonaro já está acima dos 50% (e em várias acima dos 60%) em TODAS as cidades. CHUPA, GLOBO!

2) Especificamente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Bolsonaro conseguiu consolidar as três principais cidades: BH, Contagem e Betim (que havia sido Dilma nas últimas eleições)

3) O Bolsonaro conseguiu vitórias importantíssimas em algumas cidades importantíssimas no Nordeste, sendo que ele passou dos 50% em Maceió e Campina Grande-PB, além de ter vencido o primeiro turno em Aracajú, Caruarú-PE, toda a região metropolitana de Recife e de João Pessoa, Natal-RN (sendo que passou dos 50% em Parnamirim), Mossoró-RN e Imperatriz-MA

4) Na Região Norte, o Bolsonaro passou dos 50% em Manaus e em Palmas (e Araguaína), além das cidades paraenses de Altamira, Paragominas e São Félix do Xingú, das tocantinenses. No entanto, eu acredito que o Haddad tem condições de virar o jogo no Amapá, Amazonas e Tocantins.

Nota sobre as eleições federais (15) - Que se fodam as pesquisas, Temos FATOS E NÚMEROS. Quem ganha as eleições?

Resposta curta: Jair Bolsonaro.

Resposta longa:

Vamos aos fatos: com 100% das urnas apuradas, a situação é a seguinte:

Jair Bolsonaro ficou em 1º lugar com 49.275.348 votos (46,03% dos votos válidos).

Fernando Haddad ficou em 2º lugar com 31.341.839 votos (29,28%).

Ciro Gomes ficou em 3º lugar com 13.344.074 votos (12,47%)

Geraldo Alckmin ficou com 5.096.277 votos (4,76%)

João Amoêdo ficou com 2.679.596 votos (2,50%)

Cabo Daciolo ficou com 1.348.317 votos (1,26%)
(Glória a Deuxx!!!)

Henrique Meirelles teve 1.288.941 votos (1,20%)

Marina Silva ficou com 1.069.538 votos (1,00%)

O resto ficou com menos de 1%.

Constatações:

1) o Bolsonaro teve quase 15 milhões de votos a mais que o Aécio Neves teve no primeiro turno e ficou a 1,8 milhão de igualar sua marca no segundo turno. Quer mais? Enquanto que no primeiro turno de 2014 o Aécio só teria vencido no primeiro turno em Santa Catarina, e venceria no segundo turno em 12 estados, o Bolsonaro teria levado a fatura no PRIMEIRO turno em TREZE estados. Ainda acha pouco? Tem mais ainda: o Bolsonaro teve agora mais votos que o Aécio teve no SEGUNDO TURNO em QUINZE estados - com uma surpresa: ele teve quase 150 mil votos a mais no insuspeitíssimo MARANHÃO!!

2) Quanto ao Haddad, ele teve 12 milhões de votos a menos que a Dilma teve no primeiro turno. Com destaque principalmente para o Rio de Janeiro, com 1,7 milhão a menos, Minas gerais, com quase 1,8 milhão a menos Rio Grande do Sul, com 1,1 milhão e São Paulo, com 2,1 milhões. O único estado onde o PT teve mais votos agora que em 2014 foi a Bahia. E enquanto a Dilma teria levado no primeiro turno em 11 estados em 2014 (no Norte e no Nordeste), o Haddad levou em 4 estados do Nordeste.

3) Em relação ao Ciro, ele foi uma terceira via menos apelativa que a Marina tentou ser em 2014, tendo quase 9 milhões de votos a menos que ela (não vou falar quantos votos a Marina teve a menos nesse ano que senão a coisa vai ficar MUITO feia)... Ele ganhou no Ceará com quase 2 milhões de votos (porém não passou dos 50%). É muito? É. Todos esses votos praticamente irão para o Haddad? Com certeza! Mas convém não superestimar esses números. A Marina teve 640 mil votos no Ceará e 2,3 mihlões em Pernambuco nas últimas eleições, e o Ciro teve justamente 640 mil votos no Pernambuco nessas eleições... Mas continuemos mais um pouco: os únicos lugares do Brasil onde "deu milhão" foram no Ceará, Minas (1,2), Rio de janeiro (1,3 - aliás, teve mais votos que o Haddad) e São Paulo (2,65 - aliás, teve mais votos que o Alckmin), lugares onde seguramente a grande maioria dos votos será transferida para o Haddad. Chutemos alto, numa razão de 8:2. Arredondando, 5,2 milhões. Assim, seriam uns 520 mil que anulariam o voto e outros 520 mil que podem plenamente votar no Bolsonaro... Meu palpite é que dos 13 milhões, ao menos 1 milhão entram no bolso do Bolso.

4) Agora vamos ao grande perdedor dessas eleições: Geraldo Alckmin. Sim, porque seu desempenho ajudou a AFUNDAR o partido nas eleições legislativas. Desses 5,1 milhões de votos que teve, pouco mais de 20% (2,22 milhões) foram de São Paulo. O Skaf (que surpreendentemente perdeu) já disse que apoiará o Bolsonaro. O França apoiará o Haddad - que ganhou de presente um palanque com o qual não esperava). O Dória, assim que os resultados saíram, disse a mesma coisa. Assim, desses 2,2 milhões, pelo menos 60% irá para o Bolsonaro, outros 20% anularão o voto e 20% votam no Haddad mesmo, talvez por incorporarem a narrativa esquerdista de que ele é "racistamachistahomofóbico". Acrescente mais 1,3 milhões para o Bolsonaro em SP (com pelo menos 2,5 milhões no geral)

5) O Amoêdo teve o grosso de seu eleitorado em São Paulo (onde passou a barreira do 1 milhão), Minas (graças ao benfazejo desempenho do Romeu Zema, que privou o Haddad de um palanque com o qual esperava) e nos estados do Sul. Resumindo, pelo menos outro 1,3 milhão para o Bolsonaro.

6) Cabo Daciolo - teve um digno desempenho de Enéas. Muita gente votou pela zoeira, outro tanto porque é genuinamente crente (e eu acredito que o Daciolo seja um genuíno crente). Mas crente vota em quem? Mais 650 mil para o Bolsonaro.

7) Meirelles - teve um desempenho pífio, gastando R$ 45 milhões do bolso na campanha e perdendo para quem gastou R$ 800 (Daciolo). PMDB é PMDB, mas a maioria vota no Bolsonaro. Contemos 600 mil.

8) Marina - abandonará a política depois dessa. Mas vamos supor que todos os seus votos vão para o Haddad (não irão).

Com isso temos, numa estimativa bastante conservadora

Bolsonaro - 49,2 + 1 + 2,5 + 1,3 + 0,65 + 0,6 = 55,25 milhões

Haddad - 31,3 + 12,3 + 2,5 + 1,3 + 0,65 + 0,6 = 48,65 milhões.

sexta-feira, outubro 05, 2018

Notas sobre as Eleições 2018 (14) - eleições deputados (3)

Quando fiz minha análise da previsão sobre as eleições, sobretudo para a Câmara dos Deputados, me esqueci de um dado importantíssimo: a mudança no voto em legenda. Nessas eleições, um candidato só será beneficiado com o voto em legenda se ele conseguir atingir ao menos 10% do quociente eleitoral. Não que isso tenha um grande impacto por aqui: todos os candidatos eleitos tiveram ao menos mais que o dobro do número nas últimas eleições (181.758 votos). De qualquer forma, segue abaixo a votação de todos os que superaram esse número:


Desses, dos eleitos em 2014:

- Fraga (1º), Rosso (2º) e Eliana Pedrosa (9º) estão se candidatando ao governo;
- Izalci (7º) está se candidatando ao Senado (tem o meu segundo voto)
- Ronaldo Fonseca (4º) não se candidatou à reeleição (preferiu ficar na Secretaria-Geral da Presidência com o Temer)
- Rôney Nemer (5º) foi declarado inelegível; e
- Apenas Érika Kokay (3ª), Augusto Carvalho (11º) e Laerte Bessa (13º) estão se candidatando à reeleição.

Quanto aos suplentes:
- Alírio Neto (6º) é vice da Eliana Pedrosa;
- Vitor Paulo Araújo dos Santos (8º), Policarpo  (10º), Rafael Barbosa (17º), Granjeiro (17º) e Sandro Avelar (18º) não estão se candidatando a deputado federal; e
- Apenas Maria de Lourdes Abadia (12º), Roriz Neto (14º), Professor Pacco (15º), Paulo Fernando (16º) estão tentando novamente serem deputados federais.

Ou seja: apenas 7 dos 18 candidatos que ficaram acima dos 10% no quociente eleitoral estão tentando de novo - sendo 3 à reeleição.

O total de todos esses votos foram 1.099.371 votos. No entanto, os candidatos à releição conseguiram apenas 287.529 votos. São quase 800 mil votos dando sopa.

Agora vamos dar uma olhada nos distritais que estão se candidatando a federal. Aqui vai a lista dos eleitos. Nota: a Luzia de Paula, pelos critérios atuais, não seria eleita.


Desses, apenas Júlio César (1º), Israel Batista (3º) e Celina Leão (19º) querem alçar voos mais altos.

Vamos analisar as chapas agora, partindo dos candidatos à reeleição

Érika Kokay (PT) - Está concorrendo numa chapa puro-sangue, cujo principal destaque parece ser o filho do Geraldo Magela. Pode ser que ela seja a campeã de votos, e tenha efetivamente mais votos que nas eleições passadas, mas não sei não. Ah sim: espero que não avisem esse lance do voto na legenda aos petistas...

Augusto Carvalho (Solidariedade), Júlio César (PRB) e Professor Pacco (Podemos) - Estão concorrendo na coligação Unidos Pelo DF 1, que tem também como destaque o Renato Santana. Tem potencial para duas vagas aqui. Para não falar que o Júlio César faz o perfil de "deputado crente" que sempre é eleito no DF.

Laerte Bessa (PR) - Na coligação União e Força, que conta com ninguém menos que a Flávia Arruda (aliás, do mesmo partido e que, por razões que todos conhecemos, está recebendo rios de dinheiro nessas eleições). Tem também como destaques menores Paulo Roriz e Virna (do vôlei). Também potencial para duas vagas.

Roriz Neto (PROS - agora com o nome de Joaquim Roriz) - Está na coligação Renovar DF 2, que tem também o José Edmar, que há muito perdeu força no seu curral eleitoral na Estrutural. Periga não conseguir nada.

Paulo Fernando (Patriota) - Está na Renovar DF, que tem alguns meia-bomba tipo Dr. Charles e Miguel Lucena. Mais potencial que a Renovar DF 2, com certeza. Caso se juntassem teriam com certeza uma vaga.

Maria de Lourdes Abadia (PSB) e Israel Batista (PV) - Na coligação do Rollemberg Brasília de Mãos Limpas. Sairá uma das vagas daí, e aposto que será o Israel, uma vez que a Abadia está muito associada ao Rollemberg, que tomará uma sova domingo.

Celina Leão (PP) - A chapa dela (Pra Fazer a Diferença I) é ótima: tem ela, o Tadeu Filipelli, o Newton Lins, o Olair Francisco e o Edimar Pireneus como puxadores de voto. A Celina Leão, por mais problemática que seja, se destacou como opositora ao Rollemberg. Outra chapa com potencial para duas vagas.

Passemos às outras coligações:

Brasília Acima de Tudo - Da minha candidata Bia Kicis. Infelizmente, só dela mesmo. Pode ser que um "Efeito Bolsonaro" dê uma aquecida, ou que algumas das coligações que acho que consigam duas vagas fiquem apenas com uma. Mas só se for assim mesmo que ela será eleita, infelizmente.

DC (antigo PSDC) - Não.

Elas por Nós: Sem Medo de Mudar o DF - PSol e PCB? também não.

Novo - Não acho que vai rolar.

PCO -  Hein?

PPL - O único nome famoso é o do Marco Antônio Campanella, que nunca conseguiu ser eleito pra nada. Não será diferente nessas eleições.

PSTU - Também não.

Então ficamos assim: das 8 vagas, elas serão distribuídas entre

Unidos pelo DF 1 - 1/2 vagas
União e Força - 1/2 vagas
Pra Fazer a Diferença 1 - 1/2 vagas
PT - 1 vaga
Renovar DF - 0/1 vaga
Renovar DF 2 - 0/1 vaga ( menos chances que a Renova DF)
Brasília Acima de Tudo - 0/1 vaga


terça-feira, setembro 25, 2018

Nota sobre as eleições (13) - Ibope Sul/Sudeste/Centro-Oeste - e uma discrepância seríssima.

Sem mais delongas, vamos ao x da questão:
No Rio Grande do Sul, a última pesquisa é de 21 de setembro. Nela, aparece os seguintes resultados:

Bolsonaro 35%
Haddad 18%
Branco/Nulo 12%
NS/NR 9%
Alckmin 7%
Ciro 7%
Marina 5%
Outros: ???

Segundo Turno 2014:
Aécio 53,53%
Dilma 46,47%
Brancos/Nulos 4,99%
Abstenção 18,19%

Meu palpite é que o Bolsonaro tem potencial para aumentar essa diferença. Até agora ele + Alckmin dão 42% e o Haddad + Ciro + Marina, 30%

Em Santa Catarina, a última pesquisa também é de 21 de setembro:

Bolsonaro 40%
Haddad 12%
Branco/Nulo 11%
NS/NR 9%
Alckmin 6%
Ciro 6%
Marina 5%
Outros ???

Segundo Turno 2014
Aécio 64,59%
Dilma 35,41%
Brancos/Nulos 4,16%
Abstenções 17,86%

Tá feia a coisa para o Haddad nesses dois estados. Sobra o Paraná, onde o Ibope não fez pesquisa específica.

Mas aí hoje o Ibope disse que o Bolsonaro PERDEU 8% entre a última pesquisa (18 de setembro) e ontem (24 de setembro) - sendo que o Ciro chamou os sulistas literalmente de nazistas e GANHOU dois pontos! Isso significaria dizer que: 1) a tendência de alta do Bolsonaro no Sul foi contida; 2) não só a alta foi contida mas houve uma queda drástica na mesma medida; ou 3) ou não houve nada disso e o Haddad conseguiu virar no Paraná, que foi apenas um pouco menos anti-petista que Santa Catarina nas últimas eleições. Vocês sinceramente acreditam nisso?

Continuemos, e agora vamos para o Sudeste. Direto para a fatia mais cobiçada;
São Paulo
Bolsonaro 30%
Alckmin 13%
Haddad 13%
Branco/nulo 12%
Ciro 8%
NS/NR 8%
Marina 6%

Segundo Turno 2014
Aécio 64,31%
Dilma 36,69%
Branco/nulo 6,44%
Abstenções 20,51%

O Bolsonaro tem potencial para manter esse patamar - isso se não for atrapalhado pela melhor linha auxiliar que o PT jamais sonhou em ter: Geraldo Alckmin. Porque entende-se que o Alckmin tenha concentrado seus ataques ao Bolsonaro enquanto a candidatura do PT ainda não tinha se definido, mas uma vez que o Haddad foi "promovido", o que fez o picolé de chuchu? MANTEVE OS ATAQUES CONCENTRADOS NO BOLSONARO!!! Quando muito seus ataques ao PT se resumem a um "não votem no Bolsonaro, pois senão o PT ganha [e o PT é mau, ok?]" Não só está levando um merecido nabo em São Paulo, arriscando-se até a ficar em TERCEIRO caso o Haddad o supere por lá, como pode inclusive ser prejudicial para a campanha do Dória, pois a possibilidade dos bolsonaristas votarem no Skaf só de birra não pode ser desconsiderada.

Agora, a fatia mais importante:
Minas Gerais
Bolsonaro 29%
Haddad 16%
Branco/nulo 12%
Ciro 11%
NS/NR 9%
Alckmin 7%
Marina 6%

Segundo Turno 2014
Dilma: 52,41%
Aécio 47,59%
Branco/Nulo 5,03%
Abstenções 21,17%

O Aécio essencialmente perdeu as eleições em Minas, já disse isso várias vezes. O problema é que aqui a situação ainda continua MUITO apertada (Bolsonaro + Alckmin = 37% Haddad + Ciro + Marina = 33%). Pode ser que com o Fernando Pimentel perdendo para o Anastasia possa fazer com que o Bolsonaro finalmente vire o jogo em Minas (o que não acontece desde 2002). No entanto, temos que levar em conta que Minas terá a proeza de eleger Dilma Rousseff para o Senado (obrigado, Lewandovski e Renan Calheiros!)

Finalmente, a fatia mais surpreendente
Rio de Janeiro
Bolsonaro 37%
Branco/Nulo 14%
Haddad 11%
Ciro 10%
Marina 8%
NS/NR 8%
Alckmin 6%

Segundo Turno 2014
Dilma 54,94%
Aécio 45,06%
Brancos/nulos 13,29%
Abstenções 22,36%

Chama a atenção o altíssimo índice de brancos/nulos que o Rio teve em 2014. Dito isso, a soma do Haddad + Marina + Ciro + indecisos dá o percentual que somente o Bolsonaro tem agora! Indiscutivelmente o Rio não está mais na esfera de influência do PT. Ajudou muito para isso a divisão maciça da esquerda local - notadamente a Caviar, que se dividiu entre a Marina, o Ciro e o Boulos. Não se surpreendam caso uns 15% ou 20% desses resolvam anular no segundo turno...

Vou ficar devendo Espírito Santo. Vamos à região mais desimportante de todas: Centro-Oeste. No entanto, focarei no único estado que importa:

Goiás
Bolsonaro 35%
Haddad 15%
Branco/Nulo 10%
Ciro 9%
NS/NR 8%
Marina 6%
Alckmin 6%
Meirelles 6%

Segundo Turno 2014
Aécio 57,11%
Dilma 42,89%
Brancos/Nulos 6,29%
Abstenções 21,53%

Aqui temos os eleitores do Meirelles! Partindo do ponto que eles são mais propensos a eleger o Bolsonaro que o Haddad, acredito que o Bolsonaro, ao que tudo indica, aumentará esse percentual.

E lembrando uma coisa: a abstenção geral de 2014 foi em 19,4%, ocasionada sobretudo pelo enforcamento com Finados (mais o Dia do Servidor Público em algumas localidades). Nesse ano as eleições ocorrerão no Dia do Servidor Público (28) e Finados cairá na distante sexta-feira seguinte. Assim, a abstenção será menor.

A Dilma ganhou do Aécio por 3,5 milhões de votos. Dá para tirar a diferença? Dá  (sobretudo se o Alckmin parar de fazer merda), principalmente ao se confirmar a virada no Amazonas, Pará e Rio. Além disso, em tese o Bolsonaro terá a mão direita em Minas, com o Anastasia favorito para ganhar do Pimentel.




segunda-feira, setembro 24, 2018

Notas sobre as eleições (12) - E agora, os estados (Norte e Nordeste)

Na prévia da pesquisa presidencial do Ibope, eles soltaram várias estatísticas estaduais. Vamos a elas (mais o resultado eleitoral no segundo turno de 2014 para uma contextualizada). Ah: um pormenor importante: ao contrário de 2014, não vai dar para enforcar Finados (mais o dia do servidor em algumas localidades) esse ano.

Região Norte:

Tocantins:
Bolsonaro 32%
Haddad 27%
Ciro 11%
Branco/nulo 5%
Marina 5%
Alckmin 5%

2º turno 2014
Dilma 59,49%
Aécio 40,51%
Brancos/nulos 3,93%
Abstenções 24,73%

O Tocantins é um lugar onde o Haddad tem potencial para virar. Para facilitar o raciocínio, somem todos os votos do Alckmin+Meirelles+Álvaro Dias+Amoedo ao Bolsonaro e todos aos do Ciro/Marina/Boulos para o Haddad - Daciolo e outros eu definitivamente não considero. Grosso modo é isso que acontecerá.

Acre:
Bolsonaro 53%
Marina 11%
Alckmin 8%
Ciro 8%
Haddad 7%
Brancos/nulos 5%
Meirelles 2%
Daciolo 1% (sic)
Segundo turno 2014:
Aécio 63,68%
Dilma 36,32%

Brancos/nulos - 2,09%
Abstenções 22,18%

Chama a atenção a queda da Marina. Em 2014 os eleitores dela votaram maciçamente no Aécio (a uma taxa de 13:3. Nessa os eleitores já fizeram isso no primeiro turno... Esperem uma proporção ainda maior de vitória do Bolsonaro.

Amapá:
Bolsonaro 28%
Haddad 17%
Marina 14%
Ciro 13%
Alckmin 8%
Brancos/Nulos 8%
NS/NR - 4%
Meirelles 3%
Amoêdo 2%
Álvaro dias 1%
Boulos 1%

Segundo Turno 2014:
Dilma 61,45%
Aécio 38,55
Brancos/Nulos 4,89%
Abstenções 14,53%

Aqui é outro local onde o Haddad também pode virar o jogo no segundo turno. Mas não aparenta ser uma diferença 60-40 não...

Rondônia
Bolsonaro 35%
Haddad 15%
Brancos/nulos 11%
NS/NR 9%
Ciro 6%
Marina 6%
Alckmin 6%
Álvaro Dias 3%
Meirelles 2%
Amoêdo 2%
Daciolo 1% (sic)
Eymael 1% (sci-fi)


Segundo turno 2014:
Aécio 54,85%
Dilma 45,15%
Brancos/nulos 5,37%
Abstenções 24,35%

O Bolsonaro ganha aqui também, e está tudo relativamente proporcional a 2014. No entanto, a parcela Brancos/nulos/NS/NR ainda está perigosamente alta...

Roraima 
Bolsonaro 52%
Gomes 9%
Haddad 8%
Marina 7%
Branco/nulo 7%
NS/NR 6%
Alckmin5%
Daciolo 2% (sic)
Meirelles 2%
Álvaro Dias 1%
Boulos 1%

NS/NR 6%

Segundo Turno 2-14:
Aécio 54,85%
Dilma 45,15%
Brancos/Nulos 5,37%
Abstenções 16,43%

Aqui a crise dos refugiados venezuelanos se faz valer. O Bolsonaro terá um eleitorado MUITO superior ao do Aécio em 2014, e potencialmente já no primeiro turno.

Até agora falamos dos estados pequenos do Norte. Vamos aos filés: 

Amazonas (2/3 do eleitorado de todos os estados acima somados):
Bolsonaro 33%
Haddad 17%
Ciro 12%
Marina 10%
Branco/Nulo 10%
Alckmin 5%
NS/NR 5%
Meirelles 4%
Álvaro Dias 2%
Boulos 1%
Amoêdo 1%

Segundo Turno 2014:
Dilma 65,02%
Aécio 34,98%
Brancos/Nulos 7,75%
Abstenções 22,62%

Aqui definitivamente houve uma virada à direita. Mesmo se o Haddad ganhe, definitivamente não será 65-35, já que o Bolsonaro JÁ ESTÁ PRATICAMENTE COM ESSES 35 NO PRIMEIRO TURNO!

Pará (quase a soma dos estados anteriores):
Bolsonaro 26%
Ciro 16%
Haddad 14%
Alckmin 12%
Marina 10%
Branco/nulo 10%
NS/NR 7%
Meirelles 3%
Álvaro Dias 1%
Amoêdo 1%
João Goulart Filho 1% (sic)

Segundo Turno 2014
Dilma 57,41%
Aécio 42,59%
Brancos/Nulos 5,51%
Abstenções 25,22%

O número de Brancos/Nulos/NS/NR ainda está muito alto, mas mantendo tudo do jeito que está, está pintando uma virada aqui. E lembrando que o partido do Bolsonaro mantém uma "aliança profana" com o PMDB dos Barbalho, que, ao que tudo indica, ganharão no primeiro turno (governo e senado). Confirmando a vitória do Bolsonaro por lá eles tenderão a apoiá-lo, e esse apoio pode fazer a diferença.

Agora vamos à terra arrasada chamada Nordeste. Será que ela está definitivamente arrasada?

Alagoas
Haddad 28%
Bolsonaro 22%
Branco/Nulo 11%
NS/NR 10%
Gomes 8%
Marina 7%
Alckmin 7%
Meirelles 2%
Álvaro Dias 1%
Daciolo 1% (sic)
Eymael 1% (sci-fi)
Boulos 1%
Amoêdo 1%
Vera Lúcia 1% (MUITO sic)

Segundo Turno 2014
Dilma 62,12%
Aécio 37,88%
Brancos/Nulos 5,51%
Abstenções 19,63%

Um percentual ainda altíssimo de brancos/nulos/NS/NR. Mas provavelmente o Haddad leva. Ainda mais com os Calheiros ganhando o governo e o senado. Não tem jeito: Alagoas é o CÃNCER do Brasil.

Bahia
Haddad 33%
Branco/Nulo 17%
Bolsonaro 14%
NS/NR 12%
Ciro 9%
Marina 6%
Alckmin 6%
Álvaro Dias 1%
Henrique Meirelles 1%
Amoêdo 1%

Segundo Turno 2014
Dilma 70,16%
Aécio 29,84%
Branco/nulo 5,79 
Abstenções 24,81%

O Haddad ganha aqui tranquilo (a Bahia está dominada), mas o que chama a atenção são os quase 30% de Branco/Nulo/NS/NR a essa altura do campeonato! Não dá para afirmar nada aqui.

Ceará (ainda não houve pesquisas :( )

Maranhão 
Haddad 36%
Bolsonaro 18%
Ciro 13%
NS/NR 10%
Branco/Nulo 8%
Marina 6%
Alckmin 5%
Álvaro Dias 1%
Meirelles 1%
Vera Lúcia (sic) 1%
João Goulart Filho (sci-fi) 1%

Segundo Turno 2014
Dilma 78,76%
Aécio 21,24%
Brancos/Nulos 3,74%
Abstenções 27,37%

Eis aqui uma boa notícia para o Bolsonaro: ele tem potencial para perder "apenas" de 75-25! Isso é melhor que o Aécio, gente!

Paraíba
Haddad 26%
Bolsonaro 19%
Ciro 16%
Branco/Nulo 15%
Marina 7%
NS/NR 7%
Alckmin 5%
Álvaro Dias 1%
Daciolo 1% (sic)
Eymael 1% (sci-fi)
Meirelles 1%
Amoêdo 1%

Segundo Turno 2014
Dilma 64,26%
Aécio 35,74%
Brancos/Nulos 7,56%
Abstenções 17,99%

Aqui acho que essa proporção se repetirá...

Pernambuco
Haddad 24%
Bolsonaro 17%
Branco/Nulo 16%
Ciro 13%
Marina 9%
NS/NR 8%
Alckmin 7%
Amoêdo 2%
Álvaro Dias 1%
Boulos 1%
Meirelles 1%
Vera Lúcia 1% (sic)
João Goulart Filho 1% (sci-fi)

Segundo turno 2014
Dilma 70,20%
Aécio 29,80%
Brancos/nulos 7,54%
Abstenções 17,99% (os dados na Wikipédia estão repetidos, ignorem)

Os números do Nordeste de brancos/nulos abstenções ainda estão muito altos... Mas salvo pelo Maranhão não vejo nenhuma grande mudança no cenário do NE. Realmente está pintando cenário de terra arrasada aqui.

Rio Grande do Norte
Haddad 29%
Bolsonaro 22%
Ciro 18%
Branco/Nulo 11%
NS/NR 5%
Alckmin 5%
Marina 4%
Meirelles 2%
Daciolo 1% (sic)
Amoêdo 1%

Segundo Turno 2014
Dilma 69,96%
Aécio 30,04
Branco/nulo 10,35%
Abstenções 17,66%

Um estado onde os Brancos/Nulos/NS/NR estão bem abaixo da média... Não vejo uma alteração dramática no quadro aqui.

Sergipe
Haddad 33%
Branco/Nulo 18%
Bolsonaro 16%
NS/NR 8%
Ciro 7%
Marina 6%
Alckmin 5%
Vera Lúcia 2% (mas nem a pau isso!)
Álvaro Dias 1%
Daciolo 1% (sic)
Boulos 1%
Meirelles 1%
Amoêdo 1%

Segundo Turno 2014
Dilma 67,01%
Aécio 32,99%
Brancos/Nulos 5,74%
Abstenções 15,91%

Outro percentual bastante alto de Brancos/Nulos/NS/NR. Mas essa história do PSTU ter 2% me faz desconfiar seriamente dessa pesquisa em SE.

Confirmado: o Nordeste é terra arrasada. Mas o cenário no Maranhão me faz desconfiar que a destruição ocorrerá num patamar menor.

quarta-feira, setembro 19, 2018

Notas sobre as eleições federais 2014 (11) - Lula fora, Haddad dentro (ou: pesquisas paralelas)

Com a pesquisa do Ibope de ontem o eleitorado passou a mensagem de que: 1) FINALMENTE entendeu que o Lula não concorrerá (por mais que o PT continue usando desavergonhadamente as imagem, voz e gravações do Lula; e 2) que o Haddad é o sucessor do Lula. Resultado? O Haddad disparou e se isolou na segunda colocação. Onde que ele ganhou terreno? Claramente entre os eleitores da Classe E (renda de até um salário mínimo, onde o Haddad subiu 17%) e no Nordeste, onde ele subiu 18%. No entanto, deve se notar que o Bolsonaro oscilou para baixo dentro da margem de erro entre os primeiros e subiu ACIMA da margem de erro no NE, estando agora com 16%.

Mas qual é o limite do crescimento do Haddad? A solução é se lembrar de como é que a situação estava em 2014. Na pesquisa Ibope mais próxima desse período, feita entre 13 e 15 de setembro e divulgada no dia 17, a Dilma estava liderando isoladíssima no Nordeste com 48%, a Marina estava com 29% e o Aécio 9%. Anteriormente eu disse que o Ibope errou feio com o Aécio, e isso aconteceu também no Nordeste, onde o Aécio teve 15,38% dos votos válidos. Mas também errou com a Marina, dessa vez pra cima, uma vez que ela teve na verdade apenas 22,76% dos votos válidos. No segundo turno, por sua vez, a Dilma bateu o Aécio na região por 69,78% a 27,56%.

Outro ponto a se notar foi a distribuição dos votos da Marina. Considerando que ela era herdeira de Eduardo Campos, ela ganhou no primeiro turno em Pernambuco com 2.310.700 votos, contra 2.126.491 da Dilma e 284.771 do Aécio. No segundo turno a Dilma conseguiu 3.438.165 votos e o Aécio, 1.459.229. Grosso modo, o Aécio pegou 1,2 milhão de votos da Marina mais ex-brancos e ex-nulos e a Dilma, 1,3 milhão. Peguei Pernambuco por ser um estado importante, mas duas coisas devem ser salientadas:

1) O Bolsonaro pegará menos votos das viúvas do Ciro/Marina que o Aécio pegou da Marina - pois uma coisa é ir da esquerda para a centro esquerda, e outra da esquerda para a direita;
2) Os 28 milhões de votos que a Dilma teve no segundo turno no NE são o TETO do Haddad no NE (com margem de erro de 600 mil votos). Muito embora o quantitativo de votos no NE tenha sido maior em 2014 que em 2010, deve ser salientado que passamos por um estelionato eleitoral e um impeachment neste ínterim (além do que o argumento "se fulano for eleito acabará com o Bolsa-Família" perdeu força)
3) Os quase 8 milhões de votos que o Aécio teve no segundo turno no NE são o PISO do Bolsonaro
no NE
4) Enquanto que o NE tinha 38 milhões de eleitores registrados em 2014, nesse ano já há 39.

Agora vamos a outra região interessantíssima: o Norte. Infelizmente o Ibope agrega o Norte com o Centro-Oeste, mesmo tendo características antagônicas (em 2014, por exemplo, a Dilma ganhou no Norte e o Aécio no Centro-Oeste), mas aqui há uma diferença enorme: enquanto que na Pesquisa Ibope realizada em 2014 a Dilma liderava com 35%, a Marina com 32% e o Aécio estava na rabeira com com 20%, nesta o Bolsonaro está liderando com 32% dos votos, o Haddad assumiu a vice-liderança com 15% e os outros estão com 36% (forçados, pois o Daciolo apareceu com 2%). Para que o Haddad passe o Bolsonaro ele teria que: 1) fazer com que mais indecisos o escolham; e/ou 2) 50% dos 36% referentes aos outros candidatos votassem nele E a outra metade não cogitasse votar no Bolsonaro. É uma diferença grande para ser tirada.

A receita para o Bolsonaro? 1) melhorar logo, para voltar a participar mais ativamente na campanha (e fazer com que o pessoal da sua campanha PARE de bater cabeça); 2) investir nos eleitores do Alckmin, Amoêdo, Meirelles e até alguns do Ciro (da mesma forma que os do Lula, alguns votam no Ciro porque gostam do jeito dele - que, convenhamos, é bastante parecido com o do Bolsonaro). Ele já fez muito bem com a questão do voto útil, e o caminho é esse; 3) fazer com que os que rejeitam ele ao menos anulem o voto na hora de escolher entre o Bolsonaro e o Haddad. Uma eleição ganha-se quando se consegue mais votos E quando o adversário deixa de conseguir votos.

sexta-feira, setembro 14, 2018

Nota sobre as eleições presidenciais (10) - O Viés da #GloboLixo

Domingo, 18 de março de 2018. O primeiro Fantástico após o assassinato da Marielle Franco teve as seguintes reportagens dedicadas ao acontecido:

"'Não entendo como saí daquilo', conta assessora de Marielle que sobreviveu" - Duração: 9 minutos e 34 segundos.

"Vídeo mostra o motorista Anderson muito perto dos prováveis assassinos" - Duração: 7 minutos e 24 segundos

"Marielle Franco iniciou militância após perder amiga vítima de bala perdida" - Duração: 6 minutos e 13 segundos

"Manifestantes protestaram contra assassinatos de Marielle e Anderson em São Paulo" - Duração: 31 segundos.

"Viúva do motorista Anderson Gomes dá exemplo de força e esperança" - Duração: 5 minutos e 14 segundos.

"Após assassinato de Marielle, vereadora é atacada na internet" - Duração: 4 minutos e 54 segundos.

"'Não consigo acreditar que ela não vai voltar', diz companheira de Marielle" - Duração: 6 minutos e 3 segundos.

"Kate Perry interrompe show e presta homenagem à Marielle Franco em show do Rio" - Duração: 36 segundos.

"Elza Soares e Pitty homenageiam Marielle Franco no palco do Fantástico". com direito à pinturas do rosto da vereadora ao fundo. - Duração: 2 minutos e 13 segundos

Reportagens indiretamente envolvidas com o caso:

"Governo anuncia a liberação de dinheiro para a área de segurança" - Duração: 1 minuto e 27 segundos.

Total: 42 minutos e 42 segundos de reportagens diretamente relacionadas ao caso e 44 minutos e 11 segundos de reportagens direta e indiretamente relacionadas ao caso.

Domingo, 09 de setembro de 2018. O primeiro Fantástico após o atentado ao Jair Bolsonaro teve as seguintes reportagens dedicadas ao acontecido (disponível aqui - o Fantástico parou de colocar as notícias no site próprio em 05 de agosto):

Primeira reportagem antes da abertura (quem é Adélio Bispo + boletim ao vivo sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro): 9 minutos e 18 segundos.

Algum novo boletim ao vivo sobre o estado de saúde de Jair Bolsonaro - ???

E SÓ.

terça-feira, setembro 11, 2018

Notas sobre as eleições presidenciais (9) - Gato de Schrödinger III (Ibope regional)

O Ibope está publicando várias pesquisas presidenciais de intenções de voto para presidente por estados. Vamos acompanhar?

Rio Grande do Sul (3 a 5 de setembro, pré-atentado):

Bolsonaro 26%
Haddad - 9%
Ciro - 9%
Marina - 8%
Alckmin - 6%
Meirelles - 3%
Amoêdo - 3%
Álvaro Dias - 2%
Outros: 4%
Branco/Nulo - 16%
NS/NR - 14%

Sempre lembro que o eleitorado gaúcho é o mais idiota do Brasil (ou seja: vota ideologicamente, não circunstancialmente). Dito isso, chama a atenção os 30% de pessoas que vão desperdiçar seu voto ou ainda não sabem em quem votar.

São Paulo (7 a 9 de setembro, pós-atentado)

Bolsonaro - 23%
Alckmin - 18%
Ciro - 11%
Marina - 8%
Haddad  - 7%
Amoêdo - 5%
Meirelles- 3%
Álvaro Dias - 2%
Outros - 3%
Branco/Nulo - 15%
NS/NR - 6%

Aqui chama a atenção o seguinte: o Bolsonaro subiu apenas 1%, mesmo com o atentado, e o Alckmin subiu 3%. Já disse que acredito que o Alckmin conseguirá ganhar em São Paulo, mas não parece que essa vitória se dará às custas da queda do Bolsonaro.

Paraná (1º a 4 de setembro, pré-atentado)

Bolsonaro - 23%
Álvaro Dias - 23%
Ciro Gomes - 8%
Marina - 5%
Alckmin - 4%
Amoêdo - 4%
Haddad - 4%
Outros - 3%
Branco/Nulo - 14%
NS/NR - 11%

E aqui achamos o foco do Álvaro Dias! Por mais que ele não ganhe a eleição ele não deixará de ficar feliz com a prisão do Beto Richa. O pessoal da campanha do Bolsonaro tem um espaço enorme para fazer uma campanha de voto útil no Paraná.

E essa é uma pesquisa mais antiga, mas de capital importância:

Minas Gerais - (24 a 26 de agosto)

Bolsonaro - 22%
Marina - 11%
Ciro - 9%
Alckmin - 7%
Haddad - 4%
Amoêdo - 3
Álvaro Dias - 2%
Outros - 3%
Branco/Nulo - 26%
NS/NR - 13%

Esse índice alto de Branco/Nulo e indecisos deve-se ainda ao Lula, pois no cenário com ele presente ele ganhava de 36% do Bolsonaro (19%). Nesse cenário, os Brancos/Nulos estavam em 16% e os que NS/NR estavam em 9%. Provavelmente o Haddad tem um terreno enorme para crescer, embora seja prejudicado pelo fraco desempenho do governador petista Fernando Pimentel - no entanto os mineiros, além de esfaquearem o Bolsonaro, vão eleger a Dilma para o Senado e provavelmente o Aécio para deputado federal (e eles adoram detonar o Rio...)!

Vamos ao Nordeste, que é terra arrasada contra o Bolsonaro:

Pernambuco (divulgado em 5 de setembro, pré-atentado):
Marina - 15%
Ciro - 13%
Bolsonaro - 12%
Haddad - 10%
Alckmin - 6%
Outros - 6%
Brancos/Nulos - 27%
NS/NR - 10%
Aqui o Haddad tem um potencial enorme para crescimento. Primeiro pelos votos brancos/nulos, depois pelo apoio do governador em campanha para reeleição Paulo Câmara. Mas terá o Ciro no cangote.

Notas sobre as eleições presidenciais (8) - Gato de Schrödinger II

Saiu a pesquisa do Datafolha e, como diz a piada, a facada do Bolsonaro só causou 2 pontos. Mas antes de me alongar nisso, vou mostrar o porquê de não se poder fiar muito em pesquisas. Seguem abaixo as últimas pesquisas Datafolha e Ibope realizadas antes do primeiro turno em 2014:

Datafolha (03 e 04 de outubro de 2014):

Dilma - 40%
Aécio -  24%
Marina - 21%
Pastor Everaldo - 1%
Luciana Genro - 1%
Eduardo Jorge - 1%
Brancos/nulos -  7%
Não Sabe/Não Respondeu - 5%

Ibope (03 e 04 de outubro de 2014)

Dilma - 40%
Aécio - 24%
Marina - 22%
Pastor Everaldo - 1%
Luciana Genro - 1%
Eduardo Jorge - 1%
Branco/Nulo - 4%
Não Sabe/Não Respondeu - 5%

Resultado Final 1º Turno:

Dilma - 41,59%
Aécio - 33,55%
Marina - 21,32%
Luciana Genro - 1,55%
Pastor Everaldo 0,75%
Eduardo Jorge - 0,43%
Outros - 0,21%
Brancos/Nulos - 9,64%
Abstenções - 19,39%

Conclui-se que os institutos de pesquisa acertaram a votação da Dilma, da Marina, da Luciana Genro, do Pastor Everaldo e do Eduardo Jorge na margem de erro, mas erraram FEIO com o Aécio - e ambos, sobretudo o Ibope, erraram nos Brancos/Nulos.

Voltemos ao Datafaolha. A pesquisa de ontem mostrou o seguinte resultado:

Bolsonaro  - 22%
Ciro - 13%
Marina - 11%
Alckmin - 10%
Haddad - 9%
Álvaro Dias - 3%
Amoêdo - 3%
Meirelles - 3%
Boulos - 1%
Vera Lúcia (PSTU) - 1%
Cabo Daciolo - 1%
Brancos/Nulos 15%
NS/NR - 7%

Para começar, não acho que nem a candidata do PSTU nem o Daciolo chegam a 0,5%. O Amoêdo é o fator surpresa dessas eleições. e estivesse num partido mais estabelecido garanto que conseguiria almejar um 4º lugar à Covas/89.  O Boulos acredito que está na margem de erro - mas os votos que ele teria com a comoção do assassinato da Marielle Franco se perderão com o esfaqueamento do Bolsonaro. O Meirelles aí já é piada. Sabe o porquê? Em 1989 o Dr. Diretas Ulysses Guimarães, a pessoa mais popular do PMDB, com a impopularidade que o Sarney tinha na época, teve 4,73% dos votos - bastante parecido, aliás, com os 4,38% de votos que o Quércia (outro peemedebista relativamente carismático) teve em 1994 . Por que é que o Meirelles, que não é nem do PMDB autêntico, 0 de carisma, com a impopularidade MAIOR que o Sarney tinha na época irá ter uma votação parecida? Meu palpite é que a votação do Meirelles ficará na casa dos 2%. O Álvaro Dias também sofrerá um processo de desidratação, por mais que seu bastião sulista tenha se mantido.

Agora vamos aos potenciais favoritos: a candidatura do Haddad ainda tem potencial para crescimento, mas aí ele terá que conquistar os eleitores do Ciro no Nordeste, e isso dependerá das alianças regionais. A pergunta é: será que os políticos apoiadores de Lula no NE farão isso? Além disso, o Haddad parece que tem bastante potencial para crescer no Norte (disparou de 2% para 11%

Em relação ao Alckmin, a boa notícia é que ele finalmente chegou nos dois dígitos. A má notícia é que isso não ocorreu às custas do Bolsonaro. Considerando que, ainda mais com o ocorrido, será muito difícil o Bolsonaro perder eleitores, a solução é ele conseguir uma adoção dos eleitores mais classe média da Marina. Mas independente de sua estratégia, tudo pode vir por água abaixo devido à prisão do ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Beto Richa (e olha a merda que vai acontecer lá: o Requião já está com a reeleição praticamente garantida. Após essa prisão quem muito provavelmente ficará em segundo lugar é o ex-petista - e da Rede! - Flávio Arns).

A Marina está se desmilinguindo a olhos vistos, despencando no Centro-Oeste, Norte e Nordeste (visivelmente perdeu votos para o Haddad em todas essas regiões e também para o Ciro no NE). A que se deveu isso? Acredito que à soma da promessa do Ciro sobre o SPC e do ataque do Bolsonaro à Marina sobre a questão do plebiscito - o avanço dela contra o Bolsonaro no debate da RedeTV pode ter feito sua campanha vibrar, mas considerando o fato do eleitorado feminino do Bolsonaro ter aumentado 3% e o dela ter diminuído 7% (em detrimento, mais uma vez, do Haddad) faz parecer que o efeito do discurso dele foi mais efetivo...

Agora o Ciro: no momento atual é a principal vidraça nas eleições - considerando que os ataques ao Bolsonaro ainda não estão totalmente restabelecidos. Esperem ataques dos dois principais oponentes do Ciro para a vaga no segundo turno que possuem tempo de TV para ataques: PSDB e - principalmente - PT. Reparem como ele está fulo com o PT tanto na questão do Lula como na do Haddad. Ele deve ter tido acesso a pesquisas que mostram que o PT é quem tem o maior potencial para lhe roubar votos.

Finalmente, o Bolsonaro: chama a atenção que a campanha que ele fez no Norte deu resultado: sobretudo com o despencamento da Marina, a diferença para o segundo colocado (Ciro) aumentou para 14%. Além disso, provavelmente um efeito do atentado, ele subiu 5% no Sudeste. Os pontos fracos dele continuam sendo as mulheres (por mais que tenha passado a liderar após a queda da Marina, é uma liderança de apenas 5% e com 17%) e Nordeste, onde suas intenções de voto mantiveram-se em 14%. A boa notícia é que a recuperação dele está progredindo de forma positiva. Agorinha há pouco foi anunciado que ele passará a se alimentar oralmente. O que falta agora é ele finalmente poder ir para o CTI e lá ser liberado para gravar vídeos. E é para mencionar também que a saída dele no hospital será um ato político. Além disso, ele pode fazer um gesto teatral talvez um pouco arriscado, mas de impacto indiscutível: subir a camisa e mostrar a cicatriz na sua barriga mais a bolsa de colostomia. Lembra uma peça do Shakespeare que, mesmo não sendo badalada, é uma das melhores dele: Coriolano. Pode ser arriscada porque provavelmente vai ter gente que achará "nojentinho". Se ele fizer isso, que tome o cuidado para que a bolsa de colostomia esteja vazia.

Ainda vou escrever mais sobre pesquisas, mas será do Ibope, porque surgiu uma informação importantíssima: a intenção de votos em Minas